Blocos de rua

Foliões veem no Carnaval uma chance de driblar a crise e ganhar dinheiro

Divulgação
Imagem: Divulgação

Michele Miranda

Colaboração para o UOL

25/02/2017 18h19

Mais um Carnaval chegando, e a criatividade do folião não está a mil só na hora de elaborar fantasias, mas também em formas de driblar a crise econômica do país. A cada ano, novos produtos aparecem à venda nos blocos, de empanadas argentinas aos pós coloridos, e é possível juntar uma grana boa para aliviar o sufoco do resto do ano.

O argentino Pablo Cala se apaixonou por uma brasileira, decidiu se mudar para cá e viu na comida típica de seu país uma oportunidade imediata de criar uma renda. Ele vende, em média, 50 empanadas por bloco, a R$ 6, e vai usar o dinheiro arrecadado no Carnaval para investir em melhorias no negócio. Recentemente, Pablo comprou uma “food bike”, com compartimento para manter as empanadas aquecidas e fresquinhas.

“Achei interessante o fato de oferecer aos foliões um produto diferente do típico salgado brasileiro, mas que se adapta super bem por ser ‘fast food’. E como ainda a gente não tem local de venda ao público, ou um ponto de venda fixo, fico procurando eventos, aniversários, grandes reuniões de pessoas para oferecer meu produto”, diz Pablo, que pode ser encontrado nos blocos Tambores de Olokun e Orquestra Voadora.

De olho nas tendências dos blocos de rua do Rio, a maquiadora Thai Medeiros percebeu a preferência por fantasias de unicórnio, Carmen Miranda, sereia e colombina. Ela, então, criou adereços de cabeça que custam entre R$ 60 e R$ 80 e já vendeu cerca de 250 peças neste ano.

“Ano passado, resolvi fazer oito adereços de cabeça para mim, mas fiz além do que eu teria tempo para usar. Divulguei nas redes sociais esses que sobraram, foi um sucesso e acabei fazendo 103 peças em três semanas”, comemora. “Vi que isso podia ser um negócio e esse ano me organizei melhor. Trabalho por conta própria, e janeiro e fevereiro são meses muito ruins para evento na minha área. Descobri que fazer adereços de carnaval é uma excelente maneira de ter renda nessa época”. 

Em 2016, o número de desempregados no Brasil chegou a 12 milhões e esse número tende a aumentar neste ano. A arquiteta Leticia Rondon é uma das integrantes dessa estatística e não quis ver o bloco passar na oportunidade de ganhar dinheiro no carnaval.

“Nunca vendi nada em nenhum Carnaval. A ideia veio da necessidade de ganhar dinheiro para desafogar algumas contas, já que estou desempregada. Pensei nos sacolés, nas purpurinas, mas acabei tendo a ideia do pó colorido inspirada na ‘color run’ por achar lindo, por ser algo que eu gostaria de usar no carnaval e que eu nunca tinha visto ninguém vender”, diz Letícia, que vai vender o produto nos blocos Boitatá e Toco xona, por R$ 5. “Aprendi a fabricá-lo, fiz alguns testes e já consegui algumas encomendas mesmo antes de ir aos blocos”.

Fazer negócio no Carnaval dá tão certo que já tem gente conseguindo montar equipe, sair do amadorismo e pensar em montar uma empresa que dure o ano todo. É o caso de Vinicius Moreira, que já se considera um microempresário do ramo dos sacolés alcoólicos, e chega a vender de 500 a mil bebidas a cada bloco, ao custo de R$ 6, incluindo sabores como cupuaçu, graviola, mangaba e morango.

“Eu era estudante em 2008 e trabalhava como vendedor em loja. Decidi sair do emprego para vender suco na praia. Quando chegou o carnaval, tive a ideia de vender o suco com bebida alcoólica e pensei que o sacolé seria melhor”, relembra ele, que conta com quatro equipes para otimizar as vendas. “O que está salvando a essência do carnaval de rua do Rio, nos últimos quatro anos, são os blocos não oficiais, e esse é nosso público-alvo. Com o dinheiro que eu juntar nesse Carnaval, vou investir na minha empresa, que começou de maneira amadora e pretendo ter mais estrutura, investir em maquinário”.

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