Blocos de rua

Cordão do Boitatá tem protesto e música brasileira no centro do Rio

Bernardo Moura/UOL
No Cordão do Boitatá, no Rio, um grupo de foliões se inspirou no prefeito de São Paulo, João Dória, para criar a fantasia: um muro cinza pichado Imagem: Bernardo Moura/UOL

Bernardo Moura

Colaboração para o UOL, no Rio

26/02/2017 13h42

Se o brasileiro tem uma qualidade a ser admirada é a capacidade de rir e brincar com a própria desgraça. Na manhã deste domingo (26) de garoa e sem eclipse, na Praça XV, no Centro do Rio, milhares de foliões se reuniram para festejar o 21º baile multicultural do Cordão do Boitatá. O bloco homenageia o maestro Tom Jobim, o compositor Mario Adnet e ao arranjador Moacir Santos. No repertório do show estavam muita música popular brasileira, jazz, afoxé, frevo, samba e, claro, marchinhas tradicionais.

Para a festa sair perfeita, o  cantor Rick Horta, líder do Cordão, explicou ao UOL que o segredo do bloco ser conhecido como um bloco família é a união de todos os participantes que fazem a festa.

"No Carnaval, a gente dorme de menos. Ontem, ficamos aqui arrumando tudo até de madrugada para que desse tudo certo hoje. O Carnaval é um momento único e é o momento de gastar energia e botar para dentro", disse.

O Boitatá também é famoso por seus foliões que vestem a causa da folia e inovam nas fantasias. Desta vez, a pauta foi política. Muitos deles exibiam fantasias bem criativas referentes ao momento atual do Brasil.

A atriz e carioca Dani Ornellas estava vestida de protesto contra a Cedae, a companhia de abastecimento de águas carioca. A sua fantasia era uma toalha enrolada no próprio corpo pichado de "Cadê a Cedae?" em letras garrafais e um anel com um  diamante do tamanho de uma moeda de 1 real.

"Não adianta ser indiscreta como eu, de usar joias, se não temos água. Depois que você descobre que a riqueza está na água, você percebe que você é um miserável", contou.

Outra fantasia bem criativa foi a de um grupo de funcionários públicos cariocas que estavam enrolados num pano gigante e cinza pintado "O Muro de Doria". A fantasia, que custou 200 reais no total, era interativa e permitia aos outros foliões do bloco a protestar usando pincel e tinta fornecidas pelo grupo no tal pano.

"Eu tive essa ideia de fazer uma grande bandeira cinza e as pessoas poderem repintar o Doria. A gente quer mudar o pensamento e dar cor, tirar o cinza da cidade", explicou Fernando Rodrigues, 52 anos.

Eike Batista, vestindo a coleira no pescoço escrito Luma, Sérgio Cabral e Eduardo Cunha também estavam na folia. Eles vestiam uma roupa parecida com a do personagem irmãos Metralha, da Disney, escrito 171 na frente e usando algemas. "Cabral" conversou com UOL sobre o que eles estavam fazendo ali. Ele disse que pode sair de Bangu 8 e foi direto para o Boitatá. Ele contou também como está sua vida no presídio de segurança máxima.

"A vida em Bangu não está muito boa, não. Era melhor ter ido para Angra, com meu helicóptero, comer meu caviar. Em Bangu, não rola muita coisa boa lá, não, viu?"

Um trio de senhores paulistas, fantasiados como o apresentador Chacrinha em comemoração ao centenário de nascimento, eram parados para selfies a todo instante no bloco.

Um deles, Davi Neto, 65, contou que os três sempre vêm ao Carnaval do Rio vestidos de Chacrinha e eles iniciam esta maratona Carnavalesca com o Boitatá por ser um clima familiar. Davi também disse que se Chacrinha estivesse vivo hoje em dia e visse a situação atual política do Brasil diria: "Que verrrrgonha!", em tom de voz igual ao antigo apresentador.

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