Minas Gerais

Blocos resistem à chuva e fazem desfiles memoráveis no Carnaval de BH

Nereu Jr./UOL
O bloco "Angola Janga" resgata a cultura africana no Carnaval de BH Imagem: Nereu Jr./UOL

Miguel Arcanjo Prado

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

27/02/2017 13h15

A força negra do Angola Janga, o ritmo impecável da bateria da Unidos do Queixinho, o rock carnavalesco da Alcova Libertina, a paz azul do Pena de Pavão de Krishna e o brega envolvente do Beiço do Wando enfrentaram chuva forte e fizeram desfiles inesquecíveis neste domingo (26) no Carnaval de rua de Belo Horizonte.

O bloco afro Angola Janga homenageou o tradicional Ilê Aiyê, de Salvador, como forma de “pedir a bênção aos mais velhos”. As ruas do centro foram tomadas por turbantes, dreads e tranças nagô, em um desfile que pediu respeito ao povo negro durante a folia. “Nós não somos fantasia”, diziam os integrantes, que pediram o fim do racismo e o respeito às religiões de matriz africana.

A Unidos do Samba Queixinho fez desfile contagiante pelo bairro Carlos Prates com uma das melhores baterias de Minas Gerais.

Apesar do clima de união, o bloco registrou um caso de agressão a uma mulher, o que levou a integrante Ana Clara Carvalho, a Cacaia, a ir ao microfone no alto do trio elétrico e dizer que tal atitude masculina agressora não seria tolerada no desfile nem no Carnaval de BH.

Ela conclamou que todas as mulheres presentes estivessem atentas e denunciasse qualquer tipo de assédio. “Mexeu com uma, mexeu com todas”, bradaram as mulheres.

O desfile seguiu então pacífico, sem outros incidentes. Com direito a um interminável bis em frente à sede da escola de samba ao fim do trajeto, numa prova de quão guerreira e resistente é a bateria da Unidos do Queixinho, neste ano vestida de caveira para representar a igualdade.

Para os nostálgicos, o Bloco da Esquina, com canções clássicas do Clube da Esquina, pediu amor em seu desfile no tradicional bairro de Santa Tereza, berço do movimento musical dos anos 1970 liderado por nomes como Milton Nascimento, Lô Borges e Fernando Brant, entre outros.

O bloco que arrastou multidão foi o Beiço do Wando, com público estimado de 25 mil pessoas em seu segundo ano. O público pulou ao som dos hits do cantor romântico, além de músicas de Sidney Magal, Roberto Carlos, axé e sertanejo.

Com seus foliões e bateria vestidos como a divindade hindu Krishna, com direito a rosto e corpo pintados de azul, o bloco Pena de Pavão de Krishna, chamado carinhosamente de PPK, desfilou em Morro Vermelho, distrito de Caeté, na região metropolitana de BH.

O PPK pediu preservação das águas em Minas Gerais, contra o avanço das mineradoras no Estado. Cinco ônibus levaram os foliões e a bateria até a área de mata atlântica para pedir respeito à natureza. Com os moradores locais, cerca de 1.000 pessoas entoaram mantras e afoxés debaixo das águas que caíram do céu e saudaram Oxum, rainha das águas doces.

Já o arrocha foi o ritmo escolhido pelos cerca de 300 foliões do bloco Bilu Bilu, que desfilou na região do Mercado Central entoando, entre outras, canções do cantor Pablo, chamado de o rei da “sofrência”.

O concorrido bloco Alcova Libertina este ano optou por ficar parado, com sua banda instalada no alto da praça das Lavadeiras, no bairro Colégio Batista, com direito a vista panorâmica do centro de Belo Horizonte.

O hit dos Beatles “Hey Jude” foi um dos momentos epifânicos do bloco, assim como o “Hino da Alcova Libertina”, com seus versos “Chuta, chuta, chuta, chuta a família mineira” – que alguns foliões improvisaram e mudaram de forma irreverente para “Chupa, chupa, chupa, chupa a família mineira”.

O dia só confirmou que o Carnaval de BH tem bloco para todos os gostos, ritmos e lutas sociais. É só folião escolher o que mais lhe apetecer.

Nesta segunda (27), é a vez de desfilarem os blocos Baianas Ozadas (às 10h, na av. Afonso Pena, no Centro), Havayanas Usadas (às 11h, na av. Petrolina, no Sagrada Família) e Corte Devassa (às 14h, na rua Sapucaí, no Floresta). Outro destaque é o desfile em BH pela primeira vez do Bloco do Zé Pereira, que existe há 150 anos em Ouro Preto e estreia na folia belo-horizontina às 14h, em frente à Casa do Baile, na Pampulha.

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