Blocos de rua

Com gritos de "Fora, Pezão", Orquestra Voadora arrasta milhares no Aterro

Bernardo Moura

Colaboração para o UOL

28/02/2017 20h17

A tarde desta terça-feira (28) era esperada por muitos adeptos e fãs do grupo Orquestra Voadora. O grupo com mais de 300 instrumentistas e 120 pernaltas, pessoas que andam sobre pernas de pau, arrastou milhares de pessoas no aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Com uma hora de atraso, a festa embalou muita gente com marchinhas e ritmos da MPB até o meio da noite.

Do alto do trio, o desfile começou e permaneceu num tom extremamente político. Ao apresentar os integrantes do bloco ao público, o carro de som bradava e incitava a multidão palavras de ordem contra o governador do estado do Rio, Luis Fernando Pezão e o atual presidente em exercício, Michel Temer, enquanto era hasteada uma bandeira amarela imensa escrita "Fora, Pezão!".

Depois, uma moça que se apresentou como Juliana Feminista informou que as mulheres a partir de agora iriam comunicar a todos que elas têm direito ao que bem entenderem e falou também sobre o machismo. "Li esta semana na Internet e concordo: o homem heterossexual é o único que precisa de cartilha com coisas escritas para dizer o que ele deve é não deve fazer", alfinetou para delírio de todos os presentes. 

A pernalta Cris Ribeiro, 25, contou ao UOL que a Orquestra Voadora representa uma mudança na arte do Brasil e do Rio. "A Orquestra representa resistência porque para ser artista no Brasil é difícil. Temos que ocupar o espaço público que é nosso, que é do povo e é da população", afirmou.

O mesmo tom político era encontrado entre os foliões. Vestindo uma fantasia de peixe, Julia Miller, 25 disse que se considera "muito alienada politicamente" e destacou a importância da Voadora em misturar política com Carnaval e música. "Eu prefiro ficar na minha a ficar falando besteira. Mas eu acho super importante a galera que tem bagagem para falar sobre isso e vai lá conscientizar o pessoal do tipo 'cara, temos que fazer alguma coisa", disse.

Ao lado de Julia e fantasiado da mesma maneira que a amiga, Fauston Vila, 22, afirmou que está havendo uma banalização das causas políticas no Carnaval. "O próprio 'Fora, Temer!' parte de uma dimensão que não tem como negar que parte de uma banalização de um movimento que entre aspas, é revolucionário, reivindicativo, que causaria alguma mudança, que está no meio de uma marchinha que a galera reverbera e nem sabem o que significam", analisou.

O carioca Felipe Aveiro, 30, foi ainda mais além. Para ele, o papel de blocos como o da Orquestra de conscientizar a população é fundamental no Carnaval do Rio. "Gosto muito da Orquestra Voadora. Acho um dos melhores blocos, um dos mais avançados. Enquanto todos os blocos estão no 'Fora, Temer' abstrato, eles já estão pedindo 'Fora, Pezão!', tocando paródia da Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos), e abordando questões sobre a diversidade sexual. Eles sempre foram muito bons", concluiu.

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