São Paulo

Campeão, único rei da bateria superou depressão e preconceito de ritmistas

Luiza Oliveira

Do UOL, em São Paulo

01/03/2017 07h49

Daniel Manzioni tem um posto tão nobre quanto atípico no Carnaval. Ele é rei da bateria da Acadêmicos do Tatuapé e está feliz por comemorar o título inédito. Mas para chegar lá enfrentou muitas barreiras: de uma depressão até o preconceito dos próprios ritmistas da bateria.

Daniel sai à frente da bateria há 11 anos ao lado da rainha Andréa Capitolino. Ele mostra desenvoltura no posto, mas até hoje mantém uma certa distância dos ritmistas homens para preservar o espaço deles.

"Preconceito eu tive no começo. Mas eu não entro na bateria, respeito o espaço dos ritmistas, eu fico mais perto das meninas do agogô. Mas os surdos, as caixas, não chego muito perto, é um espaço deles. Já sofri preconceito sim, até de mestre de bateria. Eles acham que a mulher tem que ficar à frente", disse.

Iwi Onodora/UOL
Rei de bateria, Daniel Manzioni enfrentou preconceitos Imagem: Iwi Onodora/UOL

Daniel comemora o reconhecimento que conquistou e o respeito. Ele acredita que o seu envolvimento com a escola o fez crescer e cobra que os passistas tenham uma postura semelhante.

"Eu tive sucesso por causa da minha postura perante os ritmistas, pelo respeito ao pavilhão, pelo meu engajamento nas causas sociais, meu envolvimento com a escola. Alguns passistas não sabem se colocar. Falta isso aos homens".

A trajetória de Daniel não foi fácil. Ele descobriu o amor pelo samba aos 6 anos, mas não pôde mostrar isso para o mundo. Encontrou resistência na família descendente de italianos e passou a dançar sozinho. Na adolescência, enfrentou uma depressão aos 18 anos.

"Eu sambo desde os 6 anos de idade, desde criança. Sofri bullying, aos 18 anos tive depressão, eu era muito tímido, era obeso, gordinho, não conseguia conversar com ninguém. Tinha uma ideia de que quem sambava era gay, afeminado", contou.

Hoje, Daniel vive outra fase. Está curado, estampa o sorriso no rosto e mostra sua alegria na avenida. Ele ainda é professor de dança e personal trainer.

Agora, ao invés do bullying, ele tem tem que enfrentar outro tipo de problema: o assédio de homens e mulheres. Comprometido, ele tem um truque para escapar das cantadas.

"Fico na minha, agradeço os elogios, faço cara de paisagem, finjo que não estou entendendo. Se precisar, eu coloco a pessoa no lugar dela, mas isso aconteceu pouquíssimas vezes", disse ele, ainda em êxtase pelo título da escola.

"É emoção que não tem explicação. Sou o primeiro rei de bateria, depois de tantos anos. Já chorei muito, são muitas emoções ao mesmo tempo".

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