Rio de Janeiro

Madureira veste azul e branco para comemorar vitória da Portela no Carnaval

Giselle de Almeida e Paula Bianchi

Do UOL, no Rio

01/03/2017 19h39

Pelas ruas de Madureira, na zona norte do Rio, era difícil encontrar quem não envergasse o azul e branco que caracteriza a Portela, campeã do Carnaval do Rio. Assim que o resultado foi anunciado, a Guarda Municipal se apressou em fechar as ruas do entorno da sede da agremiação, tomadas por portelenses. "Se a Império levar também acabou Madureira", disse o ambulante João Ramos, antes do resultado da apuração da Série A na praça da Apoteose, que revelou a vitória da Império Serrano e seu retorno ao Grupo Especial.

Paula Bianchi/UOL
Deia Vieira, 60, acompanhou a apuração na quadra com a filha Paula, de 19, que nunca tinha visto a Portela ser campeã Imagem: Paula Bianchi/UOL
Deia Vieira, 60, e a filha Paula, 19, acompanharam na quadra da Portela a apuração que deu à escola a primeira vitória em mais de 30 anos. "Isso estava engasgado na garganta faz muito tempo, já era hora de a minha filha ver a Portela vencer", diz Deia. Paula diz já ter "chorado, rido, tudo". "Ainda não acredito."

Além de vibrar pelo título de campeã, os admiradores e integrantes da escola aproveitam a festa na quadra para torcer pela Império Serrano, que venceu a Série A e tem sua sede na mesma rua que a Portela, em Madureira, compartilhando as atenções da comunidade. A multidão que lota a comemoração grita "Império, Império, Império!" e também festeja o sucesso do bairro no Carnaval: "Ah, é Madureira, ah, é Madureira".

Giselle Almeida/UOL
O presidente da Portela, Luis Carlos Magalhães, com o troféu da escola campeã carioca Imagem: Giselle Almeida/UOL
O presidente da Portela, Luis Carlos Magalhães, chegou à quadra muito emocionado, com o troféu de campeão em punho. "Minha família querida, nenhum de vocês imagina o que eu estou sentindo. Acabou o martírio, esse jejum pesado como cruz", disse à comunidade, aliviado de ter se libertado do peso de 33 anos sem um título do Carnaval.

O presidente ainda pediu que todos mandassem um beijo para Marcos Falcon, presidente agremiação que foi assassinado em setembro de 2016. "Ele que fez com que a escola se revigorasse. Vamos alcançar muito mais." Na quadra, Falcon ganhou homenagens com faixas, pôsteres e uma bandeira gigante com a inscrição "Quem Ousa Vence".

A galera gritou "Paulo Barros, cadê você, eu vim aqui só pra te ver" e o carnavalesco chegou na sacada da sala da presidência para saudar a torcida. "Deixa eu sentir o gostinho", disse ele, antes de pegar o troféu pela primeira vez. Ele quase deixou a taça cair e brincou: "Isso é pesado, né?". 
 
Depois, ele foi festejar no palco com o restante da escola. A quadra em peso gritava: "Fica, fica!".
 
"A gente trabalhou muito e ia driblando os erros. A equipe estava bem centrada e esse título veio chancelar a competência da equipe. Foi um desfile perfeito, isso significa que ninguém errou. Escola tem que fazer desfile pra ninguém errar. Esse título é da escola toda, da harmonia, da Tia Surica, das baianas. Eu me sinto dentro desse processo e vou guardar o meu pedaço", afirmou o carnavalesco.
 
Danielle Nascimento, porta-bandeira, também lembrou o antigo presidente em sua comemoração. "É muita felicidade. Dedicamos os nossos 40 pontos e esse título ao Marcos Falcon, que acreditou em nós e nos preparou. Esse título era dele."

Outra figura importante para a comunidade, Tia Surica foi à quadra para festejar pela Portela e definiu a vitória como "maravilhosa".

Paula Bianchi/UOL
Para Tia Surica, a vitória é "maravilhosa" Imagem: Paula Bianchi/UOL
O intérprete Gilsinho creditou a vitória da escola de Madureira à garra da comunidade. "Sou portelense, ser campeão pela minha escola, depois de tantos anos, é a melhor sensação do mundo. A força da nossa comunidade foi o que fez a diferença. O coração estava apertadíssimo na apuração, mas a gente estava confiante. O Império Serrano também está de parabéns, está voltando para o lugar de onde nunca devia ter saído. Agora a festa só acaba amanhã."

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