1º dia da Série A tem bons desfiles, mas nenhuma escola com pinta de campeã

AgNews
Império da Tijuca foi a segunda escola a desfilar no grupo de acesso do Carnaval do Rio Imagem: AgNews
Anderson Baltar

Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

Colaboração para o UOL, do Rio

10/02/2018 07h07

Com seus orçamentos reduzidos pela metade em relação a 2017, as seis escolas que desfilaram na primeira noite da Série A, equivalente ao Grupo de Acesso carioca, lançaram mão da criatividade e do reaproveitamento de materiais para fazer seus desfiles. Em uma noite marcada por bons sambas, Império da Tijuca e Estácio de Sá foram as melhores escolas e a Porto da Pedra chamou a atenção pela beleza de alegorias e fantasias. Porém, faltou uma exibição digna de arrancar o grito de “É campeã” do público que acorreu em bom número à Marquês de Sapucaí.

A noite foi aberta pela Unidos de Bangu, que retornou a Sapucaí após ter vencido o Grupo B em 2017. Apresentando o enredo “A travessia da Calunga Grande e a nobreza negra no Brasil” e embalada por um bom samba e uma bateria muito entrosada, a escola da Zona Oeste fez uma apresentação animada e sem grandes erros – o que deve garantir a sua permanência no grupo. Ao final de seu desfile, o portão da dispersão apresentou defeito e, por conta disso, o cronômetro foi parado com 56 minutos – um a mais do que o regulamento determina. A comissão de obrigatoriedades irá avaliar o caso.

Roberto Filho/Brazil News
Unidos de Bangu abre os desfiles do Carnaval 2018 no Rio de Janeiro Imagem: Roberto Filho/Brazil News

Uma das mais tradicionais escolas cariocas, o Império da Tijuca entrou em seguida e trouxe, além de um ótimo samba, beleza e suntuosidade em suas alegorias e fantasias. Com o enredo “Olubajé: um banquete para o rei”, os carnavalescos Sandro Gomes e Jorge Caribé mostraram um bom trabalho de reaproveitamento de materiais. A escola fez uma apresentação com evolução segura e consistente, mas o horário ingrato de desfile deverá prejudicar uma avaliação mais generosa.

Terceira escola a desfilar, a Acadêmicos do Sossego, de Niterói, apresentou o enredo “Ritualis”. Com o experiente intérprete Nego, a agremiação trouxe um samba empolgante e com uma particularidade – não tem nenhum verbo. Porém, o visual da escola deixou a desejar, com fantasias muito simples e carros alegóricos com falhas de acabamento. O Sossego foi a única escola a trazer apenas três alegorias – todas as concorrentes trouxeram uma a mais.

Presença certa no Grupo Especial por mais de 10 anos, a Unidos do Porto da Pedra, desde que foi rebaixada, em 2012, nunca mais fez um desfile digno de disputar o retorno à competição principal. Neste ano, entrou na avenida com belas fantasias e alegorias suntuosas. Com um enredo em homenagem às rainhas do rádio, trouxe uma comissão de frente divertida, que relembrou os grandes momentos da Rádio Nacional. Os pontos fracos foram o samba e a harmonia da escola, que teve algumas alas que passaram de forma burocrática.

Roberto Filho/Brazil News
Unidos do Porto da Pedra homenageou a Rádio Nacional em desfile suntuoso Imagem: Roberto Filho/Brazil News

A Renascer de Jacarepaguá passou por muitas dificuldades na preparação para o Carnaval – a principal, um incêndio em seu barracão. Porém, a escola se superou e trouxe um desfile muito competente, com um belo samba, uma bateria azeitada e belas fantasias. Com um enredo em homenagem à obra do maestro Villa Lobos baseada nos sons da Amazônia, a escola de Jacarepaguá deve obter uma posição honrosa.

Campeã do Grupo Especial em 1992, a Estácio de Sá encerrou a noite e, de cara, mostrou imponência no carro abre-alas e nas primeiras alas, que traziam fantasias volumosas e baseadas em tons cítricos. O samba, apenas mediano, empolgou seus componentes e propiciou um desfile bastante animado. A Estácio certamente terá problemas no quesito alegorias e adereços, já que o seu segundo carro passou sem iluminação. Outro temor para os estacianos é a avaliação da comissão que acompanha o transporte das alegorias dos barracões para a Sapucaí. A escola não conseguiu trazer seus carros no horário estipulado e pode ser penalizada com a perda de pontos. Um ingrediente a mais para a apuração de sexta-feira.

A expectativa agora fica por conta da segunda noite de desfiles, que terá Alegria da Zona Sul, Acadêmicos de Santa Cruz, Unidos do Viradouro, Acadêmicos da Rocinha, Acadêmicos do Cubango, Inocentes de Belford Roxo e Unidos de Padre Miguel.

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