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Anderson Baltar

Para voltar ao campeonato, Mangueira renova seu time para o Carnaval 2019

Bruna Prado/UOL
Mangueira no Desfile das Campeãs do Rio Imagem: Bruna Prado/UOL
Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

30/05/2018 19h05

A Estação Primeira de Mangueira pisou a Marquês de Sapucaí como forte candidata ao campeonato. Fez um desfile competente, elogiado por público e crítica, mas obteve apenas o quinto lugar, três décimos atrás da campeã Beija-Flor. Dois quesitos foram decisivos para sepultar o sonho mangueirense: bateria, penalizada em dois décimos e comissão de frente, que deixou de ganhar outros quatro.

Para 2019, a verde e rosa promoveu mudanças em seu time e estes dois quesitos sofreram mudanças significativas. A comissão de frente agora é comandada pelo casal Priscilla Mota e Rodrigo Negri, famoso por trabalhos inovadores no quesito na Unidos da Tijuca e Grande Rio. Cria da comunidade, mestre Wesley agora comanda os 250 ritmistas da Mangueira. Além disso, a escola trouxe um novo intérprete para comandar seu carro de som: Marquinho Art´Samba, vindo do Império Serrano.

Para o presidente da escola, Chiquinho da Mangueira, as modificações foram naturais e consequência do resultado do Carnaval passado. "Comissão de frente e bateria foram quesitos penalizados até em 2016, quando fomos campeões. Por isso, resolvemos mexer. Trouxemos um casal criativo para a comissão e eles terão total liberdade de trabalhar. Wesley é cria da casa e é um músico experiente e estudioso. E o Marquinho é um cantor de voz forte e pesada, com tudo para recordar os bons tempos de Jamelão", explica o presidente, que adiantou também que o enredo para o próximo Carnaval sai até meados de junho e deverá ser de autoria do carnavalesco Leandro Vieira. "Buscamos patrocínios, mas a situação da economia não nos favoreceu", afirma Chiquinho.

Estudando as justificativas em busca da perfeição

Aos 39 anos, mestre Wesley é ritmista da Mangueira desde 1987, quando foi um dos integrantes fundadores da Mangueira do Amanhã, escola de samba mirim ligada à Estação Primeira. Foi diretor de bateria por vários anos, chegou a ser responsável pela harmonia do carro de som e assume o comando dos ritmistas mangueirenses após cinco anos sem desfilar na escola. Por conta de compromissos profissionais, atuava no Carnaval da Bahia. "Mas nunca me deixei de frequentar a quadra. Sempre estive presente em todos os ensaios e conheço todos os ritmistas", salienta o novo mestre.

Após o mau resultado da bateria no último Carnaval, o nome de Wesley começou a ser ventilado pelas vielas do morro como o novo mestre. Mas o músico só acreditou que o sonho poderia se tornar realidade quando o presidente o convidou. "Na verdade, a ficha ainda não caiu. Mesmo depois da apresentação, na festa de 90 anos da escola, não acredito ainda que meu sonho está se realizando", relata Wesley. Com ensaios regulares às terças-feiras desde o início de maio, Wesley vem procurando acertar a bateria da Mangueira e recebe até o incentivo e crítica de companheiros de escolas concorrentes. Toda semana um mestre de outra escola é convidado para acompanhar os ensaios e passar suas impressões a Wesley.

Bastante observador, o novo mestre estudou as justificativas dos últimos cinco Carnavais e já começa a ajeitar o ritmo da bateria para conquistar as notas máximas. "Perdemos muitos pontos por causa dos tamborins e eu já corrigi o posicionamento, levando-os para a frente da bateria. O andamento, tão criticado pelos jurados, já foi colocado um pouco mais cadenciado. Estou recuperando a batida de caixa tradicional, consagrada por Tinguinha (antigo diretor da bateria). E estou criando novas bossas, para que não digam que a nossa bateria não é criativa", enumera Wesley, salientando que, desde 2001, a Mangueira não obtém a nota máxima de todos os jurados. "Nosso objetivo é quebrar esse tabu", afirma.

Liberdade total para criar

Para comandar a comissão de frente, a Mangueira contratou um casal que ajudou a redefinir o conceito do quesito. Rodrigo Negri e Priscilla Motta marcaram a história do Carnaval em 2010, com a antológica comissão de frente da troca de roupas na Unidos da Tijuca. Após três campeonatos na escola do morro do Borel e uma passagem consistente pela Grande Rio, o casal chega à Mangueira em busca de casar o seu estilo arrojado e moderno com a tradição da verde e rosa. "Quando saímos da Grande Rio nem esperávamos o contato da Mangueira. A vontade da diretoria e o apoio da comunidade foram surpresas muito positivas e deram um gás fundamental para tomarmos a nossa decisão", conta a coreógrafa.

Questionada sobre como será fazer uma comissão de frente em seu estilo em uma escola tão tradicional quanto a Mangueira, Priscilla afirma que o desafio é encontrar o ponto de junção entre as duas linguagens e salienta que a escola deu carta branca para dar as diretrizes do trabalho. O entrosamento com o carnavalesco Leandro Vieira se deu de cara: "Gostamos de viver o dia a dia do barracão, de ter um espaço para ficar, de conhecer a fundo o projeto do Carnaval. O Leandro é um cara pé no chão e entende a complexidade do quesito. Ele é muito franco e nós também. Estamos esperando a definição do enredo para colocar a cabeça para funcionar. Creio que o entrosamento será perfeito", conta Priscilla que vive a expectativa do nascimento do primeiro filho do casal. Davi chegará em setembro, em meio aos preparativos para o próximo Carnaval. "Já nascerá mangueirense e descolaremos um quartinho para ele no barracão", brinca a bailarina.

Voz marcante

Para liderar o canto da verde e rosa, Marquinho Art Samba, 48 anos, chega com a responsabilidade de imprimir uma marca semelhante a de Jamelão. Aos 15 anos de carreira, o cantor tem a oportunidade de cantar na escola de coração. "Sempre tive esse sonho e o persegui. Estou ainda emocionado com a chance e disposto a ficar por muitos anos na Mangueira", afirma.

Art Samba foi cantor de apoio por muitos anos de intérpretes como Bruno Ribas, Emerson Dias e Luizinho Andanças. Em 2013, assumiu o carro de som da Unidos de Padre Miguel, escola do Grupo de Acesso carioca. Três anos depois, estreou no Grupo Especial, como cantor da Imperatriz Leopoldinense. Nos dois últimos Carnavais, esteve no Império Serrano.

Apresentado na quadra na festa de 90 anos da escola, o intérprete disse ter vivido naquele dia o momento de maior emoção de sua vida. Para o batismo de fogo, Marquinho apostou logo em um clássico do repertório de Jamelão: o samba-canção "Ela disse-me assim", de Lupicínio Rodrigues. "Senti um frio na barriga imenso antes de subir no palco. Depois, me emocionei com o carinho da comunidade e com as pessoas chorando na quadra", relata.

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Unidos da Tijuca quer voltar a ser campeã com Comissão reforçada

Uma das escolas que mais evoluíram nos últimos 20 anos no Carnaval carioca, a Unidos da Tijuca demonstra estar de volta à briga do título. Após o acidente no desfile de 2017 e de um Carnaval de entressafra em 2018, a azul e amarela trouxe como reforços para o seu barracão o diretor de Carnaval Laíla e o carnavalesco Fran Sergio. Eles se juntaram à Comissão de Carnaval formada por Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo, que já vinha trabalhando na agremiação desde os tempos em que o desfile era comandado por Paulo Barros.  Com a nova composição, a Comissão ganha a junção de duas filosofias que renderam campeonatos: a modernidade e leveza da Tijuca e o luxo e densidade dos desfiles da Beija-Flor. A mistura, à primeira vista inusitada, de acordo com os carnavalescos, dará certo na Sapucaí. A Tijuca, que encerrará o desfile de domingo, trará o enredo "Cada macaco no seu galho. Ó, meu Pai, me dê o pão que eu não morro de fome!", sobre toda a importância do pão no contexto histórico, religioso e social ao longo da trajetória da humanidade. Para saber mais detalhes do Carnaval da escola, conversamos com Annik, Fran Sergio, Hélcio e Marcus. Confira: Anderson Baltar: Como surgiu a ideia do enredo? Annik: A gente já tinha a vontade de fazer um enredo que tocasse as pessoas e tivesse uma mensagem emocional, de amor. Recebemos um e-mail com a sugestão de um enredo sobre o páo. Só que a proposta era de um enredo histórico. Gostamos da ideia de usar o pão como pano de fundo para o nosso enredo, mas usar para falar do momento atual do país e do mundo, da falta de amor e de companheirismo e da intolerância política e religiosa.  A Tijuca tinha uma linha de Carnavais, desde Paulo Barros. E Laíla e Fran vieram da Beija-Flor com outra proposta. Qual será o estilo de desfile? Leve e alegre que nos acostumamos ou um pouco mais clássica? Marcus: Um pouco dos dois. 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