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Anderson Baltar

Liesa tem o desafio de recuperar a credibilidade do Carnaval Carioca

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Jorge Castanheira (centro), presidente da Liesa Imagem: Divulgação
Anderson Baltar

Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

08/06/2018 20h35

Com apoio expressivo dos presidentes das 14 escolas do Grupo Especial, a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) reelegeu, nesta semana, Jorge Castanheira para mais um mandato à frente da entidade.

Funcionário de carreira da liga, Castanheira é presidente desde 2007 e cumprirá mandato até 2021. Certamente, o período que se inicia é o que mais exigirá do dirigente em relação à administração do Carnaval carioca.

A folia está em crise em todos os sentidos. Não apenas por conta da economia paralisada. Além da falta de dinheiro, o Carnaval do Rio de Janeiro vive uma crise de credibilidade sem precedentes. O não-rebaixamento de nenhuma escola por dois anos seguidos foi um certeiro golpe em qualquer resquício de seriedade que a organização do evento possuía perante a opinião pública.  Vencer esse quadro é, sem dúvidas, o principal desafio de Castanheira.

Fundada em 1984, a Liesa conseguiu, a despeito de uma visão excessivamente comercial do evento, dar um grau de respeitabilidade maior às escolas de samba. E isso se deveu, principalmente, ao maior esmero na organização dos desfiles.

Até então geridos pela Riotur, autarquia municipal responsável pelo turismo carioca, os desfiles eram conhecidos pela total desorganização, com pistas invadidas por curiosos, atrasos homéricos nos cortejos (que não raramente acabavam ao meio-dia do dia seguinte) e resultados questionáveis obtidos por jurados totalmente deslocados da realidade do Carnaval.

Por anos e anos, a Liesa sobreviveu, apesar de seus pecados, por justamente manter intocado o aspecto que mais lhe chancelou: a organização. Esse legado caiu por terra nos dois últimos Carnavais.

Os acidentes do Carnaval 2017 deixaram claro que a direção do espetáculo havia fugido da mão de seus criadores. Alegorias imensas e mal planejadas manobrando em um espaço exíguo e ocupado por muito mais gente do que deveria estar ali. Depois de uma morte, vários feridos, julgamento tendencioso e regulamento rasgado, o Carnaval 2017 escrevia uma triste página na história da folia e jogava as escolas de samba carioca em um grave descrédito.

Justiça seja feita: muitas das falhas que ocasionaram as tragédias de 2017 foram corrigidas para 2018, especialmente no que tange à construção das alegorias e a ocupação do espaço de concentração/armação na Sapucaí. Porém, de uma forma inexplicável e casuística, a decisão de não rebaixar a Grande Rio e o Império Serrano, baseada apenas na “amizade”, foi letal.

Até o momento, sete das 14 escolas já anunciaram o enredo para 2019. E nenhum dos temas terá qualquer espécie de financiamento por parte de patrocinadores. É fato que este quadro já era evidente nos últimos anos por conta da retração da economia. Mas, nos bastidores do Carnaval, é flagrante o desânimo de muitos dirigentes que constatam, prostrados, que os parceiros comerciais andam cada vez mais escassos.

Reestruturar uma instituição cuja credibilidade está em baixa. Esse é o principal desafio de Jorge Castanheira. Promover uma administração transparente, e, principalmente, igualitária. É preciso que a opinião pública se convença de que as 14 escolas integrantes do Grupo Especial têm as mesmas condições de ganhar o Carnaval e, caso tenham algum percalço, fiquem nas últimas posições e sejam rebaixadas. 

É fundamental que a Liesa tenha sensibilidade para entender o momento político e econômico do país e entender finalmente que é preciso procurar outras formas de financiar os desfiles. Com uma prefeitura hostil, um governo do estado falido e um governo federal desmoralizado e às vésperas de eleições, estão praticamente esgotadas as possibilidades de aumento de aporte oficial.

Novas saídas devem ser buscadas, mais adequadas à realidade atual. Que a Liesa procure uma boa consultoria de marketing, que se espelhe em outros exemplos de produtos culturais bem sucedidos e, principalmente, que as escolas de samba entendam, de uma vez por outra, que é preciso fidelizar novos fãs e conquistar a juventude.

A renovação é necessária no Mundo do Carnaval. Cada vez menos jovens estão se integrando à cultura carnavalesca, preferindo outros ritmos e gêneros musicais. E isso poderá ser fatal a médio prazo.

Transparência e criatividade são fundamentais para um novo momento no Carnaval Carioca. Que, em novo mandato, Jorge Castanheira consiga imprimir esta marca em sua administração. 

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