CarnaUOL

Anderson Baltar

Carnaval 2019: Vila Isabel lança enredo sobre a cidade de Petrópolis

Júlio César Guimarães/UOL
Vila Isabel faz uma viagem no tempo para mostrar as descobertas da humanidade até os dias de hoje Imagem: Júlio César Guimarães/UOL
Anderson Baltar

Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

20/06/2018 22h45

A Unidos de Vila Isabel apresentou, na noite desta quarta-feira (20), a sinopse de seu enredo para o Carnaval 2019. Assinado pelo carnavalesco Edson Pereira, o tema, intitulado “Em nome do Pai, do Filho e dos Santos – a Vila canta a cidade de Pedro”, homenageará a cidade de Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro. No encontro com os compositores, realizado na quadra da escola, o presidente de honra da agremiação, Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, fez questão de usar a palavra e pedir um grande samba aos poetas da azul e branca. “O Carnaval 2018 foi decidido pelo samba. As duas primeiras colocadas se destacaram nesse quesito. Por isso, fazemos questão de uma grande obra para impulsionar o nosso desfile”, afirmou.

O carnavalesco Edson Pereira explanou o enredo para os compositores e apresentou a setorização da narrativa que a Vila Isabel apresentará em 2019. O desfile será aberto com uma exaltação à coroa, símbolo da escola e à coroa da Família Imperial, responsável pela fundação da cidade. O padroeiro da cidade, São Pedro de Alcântara, será lembrado. No segundo setor, os índios coroados, que ocupavam a região, serão apresentados. Com fama de cruéis e valentes, eles guardavam as belezas naturais da região e a água, seu principal bem natural.

O terceiro setor mostrará a colonização da cidade e o progresso impulsionado pela ferrovia inaugurada pelo Barão de Mauá. A chegada dos imigrantes alemães, ingleses e franceses e toda a sua contribuição para a cultura local estará também representada. No momento seguinte do desfile, o Hotel Quitandinha e seu inesquecível cassino será relembrado. O quinto setor mostra o sonho realizado da família imperial de ter um palácio de Versalhes brasileiro e exalta a Princesa Isabel, que dá nome ao bairro da escola, que saiu de Petrópolis para proclamar a Lei Áurea. Encerrando o desfile, a Vila fará um reencontro com a negritude, tão cara a seus desfiles mais famosos, celebrando a libertação dos escravos.

A disputa de sambas da Vila Isabel está marcada para começar no dia 1º de setembro. A final de samba ainda não tem data definida.

Confira a sinopse do enredo da Vila Isabel:

Quem pensa que é feliz em outra terra
é porque
ainda não viveu aqui.

(Hino de Petrópolis)

Que rufem os bumbos! No repicar dos tamborins, pede passagem a Branco e Azul cuja força provém do samba, eterna nossa tradição! É a comunidade que vem resgatar o império da Coroa do nosso pavilhão, herança da Isabel princesa, marca da nossa história gloriosa de emoção! Bate forte a bateria para marcar o tempo, o tempo novo da majestade Vila Isabel, o tempo de exaltar a nossa Coroa, na festa do povo, celebrando os corações do bairro de Noel, encontrando-se com outra Coroa, a da Casa Real, destinada a criar uma Cidade Imperial.

Vibra uma Vila que se reencontra com as origens, com a sua negritude, com a sua raça! São através dos pés aguerridos das negras e negros que sambam e honram a história que vem a Vila louvar os louros de sonhos de outrora e dos de agora, mostrando a toda essa gente que samba de verdade é tradição do nosso sangue rubro e, em um gingado incomparável, quente. “Sou da Vila não tem jeito; comigo eu quero respeito!”.

Portanto, encantem-se com a história que vamos contar, pois ela começa com Pedros, dos céus à terra, para criar uma cidade em uma serra.

O Santo. São Pedro que, desde o primeiro desfile da Branco e Azul, costuma lavar nossa alma e lustrar com seu sagrado encanto a Coroa da Escola, símbolo da força da gente que dá o sangue na avenida. O Santo que deu nome a tantos outros santos e homens!

O Padroeiro do Brasil e da futura cidade. Santo Pedro de Alcântara, em adoração ao Altíssimo, homônimo do primeiro e inspiração para nomear os senhores do Reino.

O Pai Pedro de Alcântara, Rei Soldado Dom Pedro I, quem sonhou com a cidade no alto.

E o Filho Pedro de Alcântara, Magnânimo Dom Pedro II, que realizou o legado.

E são os batuques da Vila que contarão a estória, com o fervor da seiva das suas raízes. Em nome do Pai, do Filho e dos Santos, vem a Vila celebrar a Cidade de Pedro e sua glória.

Lá, onde o céu toca a terra, acharam o crepúsculo de um mundo habitado pelos astros e seus donos: na Serra da Estrela, seus reis, os Índios Coroados, e um paredão, a ponte com o firmamento que transformava o fogo em relento. Lá, os mistérios atraíam os olhares castigados do calor que nem o mar aliviava, e as bocas secas que encontrariam as águas cristalinas que talhavam a dura rocha, a água pura dos mistérios da Estrela Serra.

Avançando os anos, a ocupação lenta de uma serra a ser desbravada e, enfim, trilhas para as Minas, ouro para a Casa. Depois que a Coroa se instalou, subindo as tais trilhas tortuosas, outros caminhos pelos arcanos da serra passaram a encantar o Império à beira-mar. Partiu então o Pai para viajar e, lá, ao pernoitar, ao esquecer o sol inclemente, sonhou com ares mais amenos para corpos ainda não acostumados com o calor da vida que fervilha cá embaixo, ardente. Veio, após o peregrinar da carruagem, o sonho – uma cidade nunca vista nas terras quentes! Uma cidade que brilharia do cume daquela Estrela: do que esta, ainda mais imponente.

Mas quis a vida que o Filho realizasse o sonho-desejo. Pai morto, Filho imperador, e a Cidade de Pedro a ser erguida. Nos projetos, com o incentivo do mordomo e com o plano do major, foram idealizados, primeiro, um palácio e uma igreja para o Padroeiro: reinava a santidade da cidade a ser imperial, que começava a crescer, maravilhando os olhos acalorados do povo suado do litoral.

Nascia e vivia Petrópolis, com os exuberantes ares que, do alto, iluminaram todo um Império. Uma cidade moldada pelas mãos dos imigrantes, uma das primeiras planejadas. Destinada, pelos sonhos e vontades de Pai e Filho, a ser muito! Casa de Veraneio, um império no Império Brasileiro, uma Versalhes de refúgio abrasileirada, na verdade quase sempre ocupada – passou, o Filho, ali, quarenta verões, na cidade encantada. Para toda a gente da Corte, a vida embalada no colo de uma Estrela, onde Princesa Isabel, a filha Redentora, não se cansava de descansar para, mais tarde, ser a inspiração do nosso sambar, dando-nos a Coroa para embelezar a realeza do Escola de Noel, aqui perto do mar.

Mas Petrópolis encontrava-se com a história e com o tempo e, balançando no fiar do fado, um Barão iniciou o guino: estradas de ferro e novas rotas. O progresso! Com a pulsação dos avanços, o projeto de um trem a subir uma montanha! Nessa leva, outros gênios, e uma das estradas levou o nome do seu tino: União e Indústria, a primeira macadamizada, o futuro promissor. E além dos avanços, com o tempo que não para, o prenúncio de novas eras. Um baile de cristal que comungava e anunciava o futuro sem o terror da escravidão – dali a pouco, liberdade, e, após muita luta, abolição como canção!

Passou o Império, mas nunca a imperialidade. E, aguerrida, até uma capital Petrópolis se tornou quando, com a Armada, a então jovem República cambaleou. Brilhariam para sempre os palácios, mas, também, o triunfo de uma polis que progredia, soberana, namorando a abóboda celeste. Dos encantos de Petrópolis, convenções internacionais e um Brasil que se ampliava: veio o Acre, que passou a ser mais um aposento da nossa casa. Avançava e eis o novo símbolo da cidade: um Hotel-Cassino, de onde o mundo pôde admirar a Cidade Imperial na sua plenitude de norte a sul, de leste a oeste. Reina, ontem e hoje, a natural beleza das acolhedoras terras frias e das águas puras e límpidas, cujos encantos competiram apenas com os das musas que passaram pelos festivais, enchendo-nos de alegria!

Sempre em frente, caminha. Dobra-se o mundo que se encanta com sua real e avançada realidade. Luxo das vestimentas, delícias da cevada e frutífera imponência, pois, do passado ao presente, eis o Laboratório Nacional de Computação Científica: tecnologia e ciência. E futuro não lhe falta enquanto, daqui de baixo, a Vila lhe presta, enfim, esta respeitosa reverência.

Assim, São Pedro, que sempre abençoa nossa realeza e os tambores da Swingueira de Noel... E Santo Pedro de Alcântara, padroeiro do nosso chão e que não deixa na mão quem Lhe é fiel... Façam, através desta história, brilhar o ouro da tradição da Vila, da nossa negritude e da nossa Coroa Real, enquanto cantamos a plenos pulmões, admirados (e, com seus fantasmas, assustados!), outra Coroa, a de Petrópolis, a Cidade Imperial.

Autores: Edson Pereira, Clark Mangabeira e Victor Marques

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está fechada

Não é possivel enviar comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
do UOL
do UOL
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Anderson Baltar
Topo