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Anderson Baltar

Beneficiada por virada de mesa, Grande Rio mostrará os pequenos pecados

Divulgação
Logo do enredo da Grande Rio do Carnaval de 2019 Imagem: Divulgação
Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

Do UOL

03/07/2018 12h01

Penúltima colocada no Carnaval 2018 e salva do rebaixamento por uma virada de mesa, a Acadêmicos do Grande Rio lançou seu enredo para 2019. “Quem nunca...? Que atire a primeira pedra!”, desenvolvido pelos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage, promete causar polêmica na Sapucaí apresentando os pequenos pecados que os brasileiros cometem na vida cotidiana. No desfile da tricolor de Duque de Caxias, estarão presentes uma série de transgressões como o hábito de furar filas, de fingir que está dormindo em transporte coletivos para não dar lugar a idosos e grávidas e... a virada de mesa nos regulamentos.

O diretor de Carnaval da escola, Thiago Monteiro, assume que a Grande Rio fará sua mea culpa na avenida: “Sim, houve virada de mesa e a Grande Rio se beneficiou. Mas ela não mudou o regulamento sozinha e, em vários momentos da história do Carnaval, outras escolas já se beneficiaram. Evidentemente, não poderíamos fazer nosso enredo sem falar do nosso caso”.

O dirigente afirma que o propósito do Carnaval da Grande Rio é mostrar, de forma bastante descontraída, que o coletivo deve se sobrepor ao individual. “Queremos apresentar o enredo como uma grande brincadeira, mas com uma mensagem séria. Nosso final do desfile fala de uma lavagem de consciência e de um novo momento de mudança de hábitos. A intenção do nosso desfile é fazer com que todos entendam que em algum momento nós falhamos e precisamos corrigir nossos erros”, explica.

Ex-diretor de harmonia da escola, Thiago Monteiro esteve, no ano passado, no Paraíso do Tuiuti, onde foi um dos responsáveis pelo surpreendente vice-campeonato da escola de São Cristóvão. De volta à Grande Rio, foi promovido a diretor de Carnaval e tem a incumbência de corrigir as falhas que fizeram a agremiação despencar na tabela. Dentre as principais alterações, está a valorização da prata da casa: a nova porta-bandeira é Taciana Couto e o novo mestre de bateria é Fafá, ambos criados na escola.

Coincidentemente, Thiago tem a missão parecida com a do Carnaval passado, quando pegou a Tuiuti na última colocação e a levou ao segundo lugar. Para 2019, o objetivo é um só: disputar campeonato. “A escola que entra na avenida sem pensar em título está fadada ao fracasso. O que aconteceu no último Carnaval foi uma fatalidade. Vamos trabalhar pesado para que a Grande Rio faça um desfile que seja um divisor de águas em sua história e que nos leve ao tão sonhado campeonato”, assegura o dirigente.

Confira a sinopse da Acadêmicos do Grande Rio:

"Quem nunca…? Que atire a primeira pedra!"

Fala sério aqui com a gente, “de boas”, “numa boa”, francamente: quem nunca saiu dos trilhos, perdeu o prumo, deu detalhe, rodou a baiana, chutou o balde e o pau da barraca, armou um barraco ou mesmo deu uma virada de mesa? Um deslize, uma gafezinha qualquer ou uma falta de educação das grossas mesmo? Quem nunca? Eu, você, todo mundo, pelo menos uma vez, já esqueceu etiquetas, manuais e regulamentos e atravessou o samba na passarela dessa vida.

Que atire a primeira pedra quem nunca. Ou melhor, atirar pedra, não, porque aí já é falta de educação outra vez.

Tão humano quanto o ato bíblico de atirar a primeira pedra são os nossos maus hábitos que expressam impaciência, egoísmo, descuido, intolerância, “jeitinho”… ou até falta de informação.

Furar fila, fingir estar dormindo pra não ceder o banco do ônibus pra idoso ou gestante, colar chiclete embaixo da mesa, lançar a guimba do cigarro na calçada ou aderir àquele pacote do “gatonet” chegam a ser “fichinha” perto de uma série de atitudes questionáveis. E aí cada um (do alto do seu telhado de vidro) lança aquela velha máxima: “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.

O motivo do nosso enredo é educação, só que a gente resolveu falar dela pelo viés irreverente e crítico da FALTA de educação, de coisas que fazemos que comprometem o nosso dia-a-dia, a nossa convivência e o nosso futuro.

Quem nunca lançou a latinha de refrigerante pela janela do carro, avançou o sinal vermelho, dirigiu com aquela dose de cervejinha na ideia ou acima da velocidade permitida?

Do preguiçoso que entra na via sem ligar a seta e do apressadinho que pensa que buzina é almofada até a madame ou executivo de carrão que dá “conferência” pelo celular (e não “tá nem aí” que o sinal abriu), é deseducada a vida no trânsito, camarada! Haja direção defensiva!

Nas vias das redes sociais, meio capaz de unir as pessoas aos quatro cantos do mundo, quem nunca largou o pé do freio e destilou (ou sofreu) uma indireta, um “piti”? Quem nunca testemunhou, pelo menos, xingamentos e toda sorte de discriminação (racismo, homofobia, assédio, bullying) através de postagens de quem quer impor a própria opinião e se vale do mundo movediço dos perfis virtuais? E na corrida por likes, têm aqueles que reproduzem qualquer coisa que chame a atenção, nem se dando ao trabalho de ler e de checar a informação.

No país do carnaval, de mais de duzentos milhões de carnavalescos, quem nunca saiu detonando um enredo nas redes de “amigos” sem mesmo ler a sua sinopse ou aguardar o seu desenvolvimento na Avenida?

Ainda sobre o uso das novas tecnologias, quem nunca falou alto ao celular dentro do ônibus, do trem ou da van lotada? Cá entre nós, hein, ninguém merece saber que o passageiro ao lado saiu com a mulher do vizinho noite passada ou ter que acompanhar o vídeo do “sem noção” sem fone de ouvido, não é mesmo? E haja capacidade de armazenamento do celular pra suportar tantas “fofurices” e correntinhas diárias a nos desejarem bom dia, boa noite, boa semana, boa sexta, feliz sábado… Ufa! Esses novos “brinquedinhos” deviam vir com um manualzinho de ética, fala sério!

E quem nunca se livrou daquela inofensiva sacola de lixo no rio perto de casa? Aquela sacolinha plástica que você descarta e ela ainda leva anos e anos pra se decompor. De sacolinha em sacolinha os rios “enchem o saco”! E aí é sacolinha, sacolão, tampa de privada, sofá… enchentes, transbordarmentos, desabrigados, mortos. Uma avalanche de tristeza!

Mas nem tudo é desgraça já que nossas faltas também gostam de uma farra. Nas festividades e encontros populares (nos estádios de futebol, no reveillón, no carnaval…), “ninguém é de ninguém”, e na praça, na praia, na rua o que é público também parece não ser; consciência toma sumiço e juízo de multidão não tem dono: malandro sarra na moça em condução lotada, chafarizes de mijões regam a cidade, falso torcedor sai de casa pra brigar, monumentos são destruídos, fachadas sofrem pichações que distorcem a beleza da cidade e comprometem a arte do povo grafiteiro.

A conta vem depois, quando a gente descobre que o que é público é nosso e é a gente que paga. Na pátria do carnaval e das chuteiras, o futebol nos traz imagens pertinentes: bola murcha, gol contra, impedimento… Ah, e um cartão vermelho para as faltas daqueles que se escondem na multidão.

Como se vê, no trânsito, nas redes virtuais, no meio ambiente, nos encontros das massas etc e tal, estamos meio mal.

#SóQueNão.

Nossa conduta não é de todo ruim. Afinal, somos seres inteligentes, sempre capazes de aprender. A última parte do nosso enredo é uma ode às maravilhas que o Conhecimento é capaz de edificar, aos monumentos que são o respeito ao outro e aos códigos coletivos, à convivência harmoniosa de contrários, à ética, à preservação ambiental, à construção de novas realidades por meio do estudo, da leitura, da pesquisa e da inovação.

Albert Einstein, o grande físico, já dizia que “a mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original.” É assim que o tema da Educação nos inspira e se funde à ESCOLA de Samba G.R.E.S. Acadêmicos do Grande Rio (com seu saber cultural, afetivo, informal e ancestral, de “tias”, “tios”, “pais” e “mães”, professores nossos do dia-a-dia), deixando um rastro positivo à comunidade de Caxias e aos Pimpolhos da Grande Rio, futuro da arte do samba e da humanidade.

E quem nunca fez uma faxina profunda, animada por aquela batucada estridente que enlouquece a vizinhança? O final do nosso desfile reserva uma “limpeza” geral, “enxaguando” nossos maus hábitos, removendo metafórica e alegremente as “crostas” que nos impedem a uma evolução “nota 10”. Afinal, entendemos que uma das grandes potências do carnaval é a possibilidade de aprendizado através da alegria, do movimento e do encontro dos corpos e da criatividade das mentes – sentido pedagógico este que congrega as diferenças e revitaliza o Ser.

O momento simbólico de aprendizado do nosso enredo não é, evidentemente, a imagem da “lavagem cerebral”, que fomenta a solidão da ignorância, o desmazelo com o meio ambiente, o fundamentalismo de ideias ou qualquer tipo de polarização norteada pelas faltas de gentileza, empatia e compreensão, mas uma purificação que expande a consciência, dá-lhe Saber, lava a alma e eleva o Espírito.

(Antes de terminar, vale lembar: “educação” vem do latim “educare”, que deriva de EX (que significa “fora”), junto a DUCERE (“guiar, instruir, conduzir”). Portanto, educar-se é conduzir-se para fora, sair do isolamento de si e dos próprios (maus) hábitos, ou, se quisermos, é superar os limites de nossa “caverna” escura, alegoria platônica).

Ainda temos jeito – aquele “jeitinho” que brasileiro adora e que também pode ser para o bem. Podemos aprimorar o indivíduo e as relações coletivas e ainda tentar deixar o Planeta da forma como o recebemos: maravilhoso, abundante, generoso e cuidadosamente pensado para nos “darmos bem” por aqui, sobre a Bola!

Refinar a mente, os hábitos e a vida para que sigamos em frente, com harmonia, na linguagem, na comunicação, no dia-a-dia é passo essencial para um final de Enredo feliz, alegre e pleno, aqui e no futuro, que pertencerá aos Bem Educados.

Proposição/Argumento: Renato Lage e Márcia Lage.

Texto/Desenvolvimento: Izak Dahora.

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Divulgação de patrocinador faz surgir esperança de ensaios técnicos no Rio

A informação, divulgada nesta sexta-feira (4) no site do Ministério da Cultura, de que a Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) captou, via Lei Rouanet, R$ 600 mil para a realização dos ensaios técnicos, reacendeu a esperança de que os treinos, que ocorrem desde 2004, voltem a acontecer no Sambódromo - no ano passado, por consequência da redução de subvenção oficial pela Prefeitura do Rio, o evento foi cancelado. Porém, o valor é pouco superior a 10% do que a entidade conseguiu de autorização do Ministério da Cultura para captar: R$ 5,5 milhões. Segundo a entidade, a verba, obtida junto à Latasa - Latas de Alumínio S/A, ainda não seria suficiente para cobrir os custos do evento, orçado em R$ 3,5 milhões. De toda forma, de acordo com dirigentes de escolas, a Liesa já preparou um calendário, mais enxuto, para acomodar os ensaios caso sejam confirmados. Ao longo do dia, surgiu nas redes sociais uma suposta escala, em que os treinos ocorreriam apenas aos domingos, tendo início no dia 27 de janeiro e indo até o dia 24 de fevereiro.  O colunista apurou que, apesar de toda a animação do mundo do Carnaval com a volta dos ensaios, este sentimento não se espalha pelos dirigentes. Afinal, com menos R$ 500 mil de subvenção oficial em seus orçamentos, as agremiações teriam custos suplementares com a realização dos ensaios com a fabricação de camisetas, aluguel de ônibus e caminhões e lanches para os componentes.  A situação dos barracões na Cidade do Samba melhorou nas últimas semanas graças a repasses de verbas advindos da venda de ingressos e de mais uma cota da Rede Globo. As escolas continuam pleiteando a volta do valor da subvenção da prefeitura para os valores de 2018, de R$ 1 milhão, mas o prefeito Marcelo Crivella mostra-se irredutível.

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Liesa cobra cumprimento de promessa de subvenção oficial de R$ 1 mi

Em mais um capítulo da estremecida relação entre escolas de samba e Prefeitura do Rio, a Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) convocou uma plenária no noite de segunda-feira (10) para buscar soluções em relação ao financiamento do desfile de 2019. Após a verba oficial ter sido reduzida de R$ 2 milhões para R$ 1 milhão no Carnaval de 2018, a Prefeitura anunciou, via Diário Oficial, o repasse de apenas R$ 500 mil para as escolas de samba do Grupo Especial. A mudança de planos, a menos de três meses dos desfiles, pegou as escolas de surpresa e é mais um gargalo financeiro que surge para o planejamento dos desfiles. Nas últimas semanas, patrocinadores fortes, como os Supermercados Guanabara saíram do desfile. A Uber, que apoiou cada agremiação em R$ 500 mil via edital aberto pela Riotur, anunciou que não renovará o contrato. No último final de semana, apenas Portela, São Clemente e Imperatriz Leopoldinense realizaram eventos em suas quadras. Em entrevista coletiva após o final da plenária, o presidente da Liesa, Jorge Castanheira, afirmou que as escolas de samba irão cobrar com maior veemência uma resposta da Riotur. "Com muita surpresa que recebemos a informação pelo Diário Oficial. Em todas as reuniões com a prefeitura ao longo do ano não nos disseram que a verba seria reduzida. Causa estranheza, às vésperas do evento, esse corte. As escolas querem uma nova reunião com a Riotur para reverter esse quadro, porque seria a demonstração de total descaso com o espetáculo. Injetamos milhões na economia da cidade e queremos ser ouvidos", afirmou. Castanheira salientou que o prefeito o recebeu apenas uma vez, em setembro. E, em todas as demais reuniões, os interlocutores da Prefeitura foram o secretário de Casa Civil, Paulo Messina, e o presidente da Riotur, Marcelo Alves. De acordo com o presidente da Liesa, em momento algum foi cogitada a redução dos repasses. Nas reuniões com os secretários, ficou acordado que a verba de R$ 1 milhão seria paga em quatro parcelas: as duas primeiras, em novembro e dezembro, seriam de R$ 250 mil. A terceira, em fevereiro, de R$ 400 mil. Já a última, de R$ 100 mil, seria paga após o Carnaval, com a devida prestação de contas das parcelas anteriores.  "Isso tudo foi planejado. Agora, vir dizer pelo Diário Oficial que tudo mudou? O que a prefeitura quer? Acabar com o Carnaval do Rio de Janeiro? O prefeito tem que se sensibilizar com a situação do Carnaval", desabafou o presidente da Liesa, que destacou que a diminuição do apoio oficial a menos de três meses do desfile pode causar um dano à cadeia produtiva do Carnaval: "Uma coisa é você captar dentro de um planejamento. Outra coisa é ser pego de surpresa em dezembro. Está faltando um pouco de gestão na organização e respeito às escolas que são patrimônio da cidade. Disseram que o corte de verbas do Carnaval iria beneficiar a educação e a saúde e não é o que estamos vendo".  Questionado se o momento é o de pior relacionamento entre o Carnaval e o poder público, Castanheira afirmou que nunca foi tão difícil o diálogo com a Prefeitura. "Eles só nos dizem não, não e não. Acho que o prefeito não quer o Carnaval. O que está acontecendo é motivado pela religiosidade? ?Precisamos saber", afirmou o presidente da Liga, destacando que vários governantes do passado reconheceram a importância do Carnaval para a economia e cultura da cidade: "Brizola fez o Sambódromo, César Maia, a Cidade do Samba. Eduardo Paes ampliou a passarela. E agora? O que o prefeito quer?" A Liesa resolveu não mudar no regulamento e nem determinar a diminuição de alegorias ou alas nos desfiles de 2019. "Não há possibilidade. Os projetos estão prontos, cada carro alegórico e fantasia ajudam a contar uma história. Não vamos mexer no espetáculo. Esperamos conseguir resolver essa situação". Os ensaios técnicos, por sua vez, ainda não estão confirmados. Segundo Jorge Castanheira, há um projeto aprovado na Lei Rouanet e a liga procura parceiros. Nos bastidores do Carnaval comenta-se a possibilidade de uma proposta que as escolas deverão receber nos próximos dias para que a gestão financeira do desfile passe para as mãos do empresário Roberto Medina, organizador do festival Rock In Rio. Porém, este tema não foi abordado na plenária da liga.   

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Unidos da Tijuca quer voltar a ser campeã com Comissão reforçada

Uma das escolas que mais evoluíram nos últimos 20 anos no Carnaval carioca, a Unidos da Tijuca demonstra estar de volta à briga do título. Após o acidente no desfile de 2017 e de um Carnaval de entressafra em 2018, a azul e amarela trouxe como reforços para o seu barracão o diretor de Carnaval Laíla e o carnavalesco Fran Sergio. Eles se juntaram à Comissão de Carnaval formada por Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo, que já vinha trabalhando na agremiação desde os tempos em que o desfile era comandado por Paulo Barros.  Com a nova composição, a Comissão ganha a junção de duas filosofias que renderam campeonatos: a modernidade e leveza da Tijuca e o luxo e densidade dos desfiles da Beija-Flor. A mistura, à primeira vista inusitada, de acordo com os carnavalescos, dará certo na Sapucaí. A Tijuca, que encerrará o desfile de domingo, trará o enredo "Cada macaco no seu galho. Ó, meu Pai, me dê o pão que eu não morro de fome!", sobre toda a importância do pão no contexto histórico, religioso e social ao longo da trajetória da humanidade. Para saber mais detalhes do Carnaval da escola, conversamos com Annik, Fran Sergio, Hélcio e Marcus. Confira: Anderson Baltar: Como surgiu a ideia do enredo? Annik: A gente já tinha a vontade de fazer um enredo que tocasse as pessoas e tivesse uma mensagem emocional, de amor. Recebemos um e-mail com a sugestão de um enredo sobre o páo. Só que a proposta era de um enredo histórico. Gostamos da ideia de usar o pão como pano de fundo para o nosso enredo, mas usar para falar do momento atual do país e do mundo, da falta de amor e de companheirismo e da intolerância política e religiosa.  A Tijuca tinha uma linha de Carnavais, desde Paulo Barros. E Laíla e Fran vieram da Beija-Flor com outra proposta. Qual será o estilo de desfile? Leve e alegre que nos acostumamos ou um pouco mais clássica? Marcus: Um pouco dos dois. Tanto para nós quanto para eles é um estilo diferente de enredo. E tudo se encaixou perfeitamente.  Fran Sergio: Todos tínhamos a vontade de fazer um enredo com essa pegada. Vai se criar uma nova forma de desfile. O samba já mostra isso. É uma outra Tijuca que irá para a avenida.  Teremos alegorias humanas? Annik: Sim! Fran Sergio: Teremos a alegria e a leveza da Tijuca, mas a pompa e o luxo dos bons tempos da Beija-Flor.  Marcus: Você vai falar que não é Beija-Flor, nem Tijuca. É uma nova forma de Carnaval. Hélcio: Queríamos fazer um enredo mais humanitário e ter um grande samba. Era uma deficiência da escola. Apesar de cantarmos muito, batíamos na trave. O trabalho do Laíla aprimorou muito a qualidade dos sambas e fomos muito felizes porque tivemos uma final com quatro grandes obras. Estamos apostando no trabalho de barracão e no samba, que já foi abraçado pela comunidade. Fran Sergio: O Laíla é um grande mestre e está com sangue nos olhos, com vontade de ser campeão. E, a despeito de toda experiência,  a mente dele é mais jovem que a nossa. Annik: Quando estamos desanimados, ele vem e nos incentiva.  O que podemos saber desde já do que será mostrado na avenida? Fran Sergio: Contaremos a história do pão, não só o alimento, mas o pão material, espiritual e social. Falaremos do início do pão, das primeiras civilizações que o desenvolveram. Temos uma parte religiosa, mostrando o pão da vida. Enfocaremos a era das revoluções, surgidas por conta da falta do "pão", mostraremos a chegada do alimento ao Brasil, dos negros nos tumbeiros vindo para cá à base de pão e água. E terminamos com uma crítica social, a toda essa desigualdade e intolerância. Se cada um fizer sua parte, ou seja, cada macaco estiver no seu galho, teremos um mundo melhor.  Vivemos a pior crise financeira da história do Carnaval. No que vocês apostaram para diminuir os custos? Hélcio: O presidente pediu para não tivermos excessos e desperdício. Vamos trabalhar bastante com materiais alternativos. Fran Sergio: Tem muita palha, capim. As roupas não são muito grandes, porque queremos que a escola evolua  e cante muito. E também diminuímos um setor: ao invés de seis carros, desfilaremos com cinco. Marcus: Fizemos também um trabalho grande de pesquisa de materiais. Fomos em São Paulo procurar e conseguimos muita coisa a um preço bem mais baixo. Hélcio: O corte mais sensível na estrutura é o de uma alegoria. Temos uma ala a menos do que ano passado. Não podemos prejudicar a qualidade do espetáculo.  2018 foi um ano de transição. Para 2019, podemos considerar a Tijuca de volta pra briga, mesmo desfilando no domingo? Annik: Sem dúvida. Inclusive, a Tijuca já foi campeã desfilando no domingo.  Fran Sergio: E ainda vamos encerrar o desfile. Eu, particularmente, adoro. Ganhei alguns Carnavais na Beija-Flor nesta posição de desfile. Marcus: É o nosso objetivo.  Annik: Nos últimos anos, as escolas que trazem um grande samba têm sido campeãs. Nesse ano, além dos quesitos da Tijuca, que sempre foram fortes, temos um grande samba. Isso pode fazer a diferença. Hélcio: É fundamental agradar ao público. Se tivermos um grande samba, o público se empolgará e, certamente, influenciará os jurados.  Mesmo desfilando de dia? Marcus: O nosso último campeonato foi em 2014, com o enredo do Ayrton Senna, encerrando o desfile. Hélcio: Prefiro desfilar por último do que primeiro.  Fran Sergio: Já estamos preparando para desfilar de dia. Paleta de cores, materiais, tudo feito para brilhar com o sol. Hélcio: O nosso sonho é que o povo se empolgue com o samba e venha sambando atrás da Tijuca. Estamos trabalhando para isso. Ter um samba explodindo na Sapucaí é a melhor resposta e a maior satisfação.

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