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Anderson Baltar

Ao contar a história do pão, Tijuca trará mensagem de solidariedade

Lucas Landau/UOL
Integrantes da Unidos da Tijuca na dispersão da Sapucaí, após o desfile no 1º dia do Grupo Especial Imagem: Lucas Landau/UOL
Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

12/07/2018 21h35

Última escola do Grupo Especial do Rio de Janeiro a divulgar o seu enredo, a Unidos da Tijuca lançou, com evento em sua quadra nesta quarta-feira (11), o tema para o seu desfile no Carnaval 2019. “Cada macaco no seu galho. Ó, meu Pai, me dê o pão que eu não morro de fome”, desenvolvido pela comissão de carnaval formada por Laíla, Fran Sérgio, Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo, contará a história do alimento mais popular do planeta com uma mensagem forte de solidariedade.

De acordo com Fran Sérgio, o enredo não será simplesmente descritivo e cronológico. O objetivo é propiciar uma reflexão sobre o momento atual da humanidade. “A Tijuca vai falar do pão material .o principal alimento da humanidade e que sustenta o corpo.  Mas também traremos o pão da vida e a fé em Deus que alimenta a alma. Não poderia faltar o pão social - a fraternidade que temos que promover uns com os outros em um momento em que nossos governantes não estão cuidando de nós “, explica o carnavalesco.

A sinopse do enredo foi entregue aos compositores nesta quinta. O coordenador geral da Comissão de Carnaval da escola, Laíla, afirmou que pretende mudar o patamar dos sambas-enredos da escola – a Unidos da Tijuca, a despeito dos bons resultados dos últimos carnavais, invariavelmente perde pontos nesse quesito. Em discurso direcionado aos compositores, nesta quarta-feira, ele deu dicas do que pretenderá do samba da azul e amarela para o Carnaval 2019: “Quero um samba cadenciado e com métrica bem definida. Estamos em busca de retomar uma trajetória de grandes sambas e conto com o talento e a criatividade de vocês. A sinopse é o fio condutor, mas vocês estão livres para fazer seus sambas da forma que acharem melhor”.

Sétima colocada no último Carnaval, a Unidos da Tijuca deverá dar início a disputa de sambas em meados de agosto – as inscrições dos sambas serão realizadas no dia 16 do mesmo mês.

Confira a sinopse da Unidos da Tijuca:

Cada macaco no seu galho. Ó, meu Pai, me dê o pão que eu não morro de fome!

Através dos “olhos” do pavão, animal que traz a visão de  Deus  pela  alma  e  elimina  o  mal  com  suas  garras,  a Unidos da Tijuca vai passar uma mensagem de esperança em dias melhores por meio da história e simbologia do pão. Assim como no pavilhão tijucano, o pavão guiará a escola a revelar a trajetória do alimento mais popular do planeta.

Em tempos de ódio gratuito, intolerância para todos os lados, e do politicamente correto, o enredo se utiliza de um ditado  popular  para  sinalizar  que,  se  cada  um  fizer  a  sua parte,  o  mundo  há  de  ser  mais  justo.  A  agremiação  frisa aqui que a expressão “cada macaco no seu galho” utilizada no  tema  nem  de  longe  lembra  o  significado  primitivo  do termo, que era usado para discriminar a população negra. Dentro do contexto do desfile da Tijuca, o ditado assume o sentido  irreverente  característico  dos  cariocas.  Ou  seja,  é “cada  um  no  seu  quadrado”  em  busca  de  uma  sociedade melhor.

Essência  de  todas  as  escolas  de  samba,  os  negros foram   (e   são)   o   pilar   desta   festa.   Portanto,   seria contraditório denegrir quem fez e faz pelo maior espetáculo da Terra.

O título do enredo ainda traz uma frase de clamor pelo pão  que  alimenta,  seja  o  corpo  ou  a  alma.  Desde    a  sua descoberta,  ele  vem  curando  as  necessidades  de  muitos, fortalecendo  a  construção  de  sociedades.  O  pão  é  o  fio condutor que nos levará até os dias atuais.

Afinal,  de  acordo  com  o  historiador  alemão  Heinrich Eduard Jacob, “nenhum outro produto, antes ou depois da sua   descoberta,   dominou   o   mundo   antigo,   material   e espiritualmente, como o pão foi capaz de fazer”.

Desenvolvimento

Através dos “olhos do Criador”, revejo o surgimento do alimento   mais   importante   e   sagrado   do   mundo.   Na Mesopotâmia,  um  dos  berços  da  civilização,  o  homem primitivo  percebe  que  a  simples  exposição  ao  sol  de  um punhado  de  cereal,  batizado  como  trigo,  faz  nascer  uma massa intrigante. A “descoberta” dali para frente alimentaria a humanidade.

Foram os egípcios que, com inteligência e sagacidade, iniciaram o processo de fermentação dessa massa, dando origem ao Pão. Ele rapidamente ganhou traços simbólicos, seja como moeda de troca ou instrumento político.

Do pão, foi  mantido um Império. Reis e rainhas caíram. Revoltas e revoluções surgiram.

O  povo  explorado,  muitas  vezes  escravizado,  sempre trabalhou pelo alimento de cada dia. O humilde proletário, que madruga atrás de condução, também está em busca de uma vida melhor. E é na fé que esse homem se sustenta. Fé encontrada no filho de Deus, que se fez carne entre os pecadores.  O  Cordeiro  de  Deus  deixou-nos  o  exemplo  da multiplicação e partilha do amor com os irmãos.

Assim   como   Jesus   Cristo,   outras   santidades   dão verdadeiras  lições  de  que,  se  cada  um  fizer  a  sua  parte, mesmo   que   pequena,   fabricaremos,   amassaremos   a mistura, que ao crescer, salvará nosso mundo da fome de alimento, e de sentimentos.

Até  porque  vivemos  em  uma  realidade  tão  cruel,  em que muitos ainda não têm acesso ao básico para viver. Os abusos  de  poder  massacram  os  desfavorecidos.  Estamos no  forno,  assando,  sofrendo,  queimando  no  descaso  de quem deveria olhar pela prosperidade de todos.

Ah se todos fizessem a sua parte...

Se  os  ardilosos  com  seu  egoísmo  e  ambição  fossem extintos...

O ditado popular "Cada macaco no seu galho" nunca foi tão essencial como agora. Não no seu significado primitivo, que  era  usado  para  discriminar  a  população  negra  -  povo que é a essência das nossas escolas de samba. Se cada um dentro do seu ofício fizer o melhor, teremos o nosso pão e não morreremos de fome.

É  preciso  colocarmos  no  coração  verdadeiramente  a mensagem do Pão da Vida para podermos viver nas glórias de um Paraíso Real.

Enquanto  não  desfrutamos  desta  abundância,  sei  que tudo poderá me faltar: água, pão... Mas nada tirará o meu ânimo  de  viver.  Nada!  Porque  sei  que  nunca  me  faltará  o teu  amor,  Pai. Amor  que  gerará  filhos,  nascidos  sem  dor. Filhos   que   crescerão   como   homens   de   bem,   direitos. Direitos que serão ensinados para vivermos em um mundo melhor.

Ouço o teu clamor, por isso, cubro-te de amor e fé pois este é o verdadeiro alimento da sua alma.

Unidos pela arte e cultura popular

Coordenação geral: Laíla

Diretor de carnaval: Fernando Costa

Carnavalescos:  Annik  Salmon,  Fran  Sérgio,  Hélcio

Paim e Marcus Paulo

Desenvolvimento:  Annik   Salmon,   Fernando   Costa, Fran Sérgio, Hélcio Paim, Igor Ricardo, Laíla, Marcus Paulo

Pesquisa e texto: Igor Ricardo 

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Divulgação de patrocinador faz surgir esperança de ensaios técnicos no Rio

A informação, divulgada nesta sexta-feira (4) no site do Ministério da Cultura, de que a Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) captou, via Lei Rouanet, R$ 600 mil para a realização dos ensaios técnicos, reacendeu a esperança de que os treinos, que ocorrem desde 2004, voltem a acontecer no Sambódromo - no ano passado, por consequência da redução de subvenção oficial pela Prefeitura do Rio, o evento foi cancelado. Porém, o valor é pouco superior a 10% do que a entidade conseguiu de autorização do Ministério da Cultura para captar: R$ 5,5 milhões. Segundo a entidade, a verba, obtida junto à Latasa - Latas de Alumínio S/A, ainda não seria suficiente para cobrir os custos do evento, orçado em R$ 3,5 milhões. De toda forma, de acordo com dirigentes de escolas, a Liesa já preparou um calendário, mais enxuto, para acomodar os ensaios caso sejam confirmados. Ao longo do dia, surgiu nas redes sociais uma suposta escala, em que os treinos ocorreriam apenas aos domingos, tendo início no dia 27 de janeiro e indo até o dia 24 de fevereiro.  O colunista apurou que, apesar de toda a animação do mundo do Carnaval com a volta dos ensaios, este sentimento não se espalha pelos dirigentes. Afinal, com menos R$ 500 mil de subvenção oficial em seus orçamentos, as agremiações teriam custos suplementares com a realização dos ensaios com a fabricação de camisetas, aluguel de ônibus e caminhões e lanches para os componentes.  A situação dos barracões na Cidade do Samba melhorou nas últimas semanas graças a repasses de verbas advindos da venda de ingressos e de mais uma cota da Rede Globo. As escolas continuam pleiteando a volta do valor da subvenção da prefeitura para os valores de 2018, de R$ 1 milhão, mas o prefeito Marcelo Crivella mostra-se irredutível.

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Liesa cobra cumprimento de promessa de subvenção oficial de R$ 1 mi

Em mais um capítulo da estremecida relação entre escolas de samba e Prefeitura do Rio, a Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) convocou uma plenária no noite de segunda-feira (10) para buscar soluções em relação ao financiamento do desfile de 2019. Após a verba oficial ter sido reduzida de R$ 2 milhões para R$ 1 milhão no Carnaval de 2018, a Prefeitura anunciou, via Diário Oficial, o repasse de apenas R$ 500 mil para as escolas de samba do Grupo Especial. A mudança de planos, a menos de três meses dos desfiles, pegou as escolas de surpresa e é mais um gargalo financeiro que surge para o planejamento dos desfiles. Nas últimas semanas, patrocinadores fortes, como os Supermercados Guanabara saíram do desfile. A Uber, que apoiou cada agremiação em R$ 500 mil via edital aberto pela Riotur, anunciou que não renovará o contrato. No último final de semana, apenas Portela, São Clemente e Imperatriz Leopoldinense realizaram eventos em suas quadras. Em entrevista coletiva após o final da plenária, o presidente da Liesa, Jorge Castanheira, afirmou que as escolas de samba irão cobrar com maior veemência uma resposta da Riotur. "Com muita surpresa que recebemos a informação pelo Diário Oficial. Em todas as reuniões com a prefeitura ao longo do ano não nos disseram que a verba seria reduzida. Causa estranheza, às vésperas do evento, esse corte. As escolas querem uma nova reunião com a Riotur para reverter esse quadro, porque seria a demonstração de total descaso com o espetáculo. Injetamos milhões na economia da cidade e queremos ser ouvidos", afirmou. Castanheira salientou que o prefeito o recebeu apenas uma vez, em setembro. E, em todas as demais reuniões, os interlocutores da Prefeitura foram o secretário de Casa Civil, Paulo Messina, e o presidente da Riotur, Marcelo Alves. De acordo com o presidente da Liesa, em momento algum foi cogitada a redução dos repasses. Nas reuniões com os secretários, ficou acordado que a verba de R$ 1 milhão seria paga em quatro parcelas: as duas primeiras, em novembro e dezembro, seriam de R$ 250 mil. A terceira, em fevereiro, de R$ 400 mil. Já a última, de R$ 100 mil, seria paga após o Carnaval, com a devida prestação de contas das parcelas anteriores.  "Isso tudo foi planejado. Agora, vir dizer pelo Diário Oficial que tudo mudou? O que a prefeitura quer? Acabar com o Carnaval do Rio de Janeiro? O prefeito tem que se sensibilizar com a situação do Carnaval", desabafou o presidente da Liesa, que destacou que a diminuição do apoio oficial a menos de três meses do desfile pode causar um dano à cadeia produtiva do Carnaval: "Uma coisa é você captar dentro de um planejamento. Outra coisa é ser pego de surpresa em dezembro. Está faltando um pouco de gestão na organização e respeito às escolas que são patrimônio da cidade. Disseram que o corte de verbas do Carnaval iria beneficiar a educação e a saúde e não é o que estamos vendo".  Questionado se o momento é o de pior relacionamento entre o Carnaval e o poder público, Castanheira afirmou que nunca foi tão difícil o diálogo com a Prefeitura. "Eles só nos dizem não, não e não. Acho que o prefeito não quer o Carnaval. O que está acontecendo é motivado pela religiosidade? ?Precisamos saber", afirmou o presidente da Liga, destacando que vários governantes do passado reconheceram a importância do Carnaval para a economia e cultura da cidade: "Brizola fez o Sambódromo, César Maia, a Cidade do Samba. Eduardo Paes ampliou a passarela. E agora? O que o prefeito quer?" A Liesa resolveu não mudar no regulamento e nem determinar a diminuição de alegorias ou alas nos desfiles de 2019. "Não há possibilidade. Os projetos estão prontos, cada carro alegórico e fantasia ajudam a contar uma história. Não vamos mexer no espetáculo. Esperamos conseguir resolver essa situação". Os ensaios técnicos, por sua vez, ainda não estão confirmados. Segundo Jorge Castanheira, há um projeto aprovado na Lei Rouanet e a liga procura parceiros. Nos bastidores do Carnaval comenta-se a possibilidade de uma proposta que as escolas deverão receber nos próximos dias para que a gestão financeira do desfile passe para as mãos do empresário Roberto Medina, organizador do festival Rock In Rio. Porém, este tema não foi abordado na plenária da liga.   

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Unidos da Tijuca quer voltar a ser campeã com Comissão reforçada

Uma das escolas que mais evoluíram nos últimos 20 anos no Carnaval carioca, a Unidos da Tijuca demonstra estar de volta à briga do título. Após o acidente no desfile de 2017 e de um Carnaval de entressafra em 2018, a azul e amarela trouxe como reforços para o seu barracão o diretor de Carnaval Laíla e o carnavalesco Fran Sergio. Eles se juntaram à Comissão de Carnaval formada por Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo, que já vinha trabalhando na agremiação desde os tempos em que o desfile era comandado por Paulo Barros.  Com a nova composição, a Comissão ganha a junção de duas filosofias que renderam campeonatos: a modernidade e leveza da Tijuca e o luxo e densidade dos desfiles da Beija-Flor. A mistura, à primeira vista inusitada, de acordo com os carnavalescos, dará certo na Sapucaí. A Tijuca, que encerrará o desfile de domingo, trará o enredo "Cada macaco no seu galho. Ó, meu Pai, me dê o pão que eu não morro de fome!", sobre toda a importância do pão no contexto histórico, religioso e social ao longo da trajetória da humanidade. Para saber mais detalhes do Carnaval da escola, conversamos com Annik, Fran Sergio, Hélcio e Marcus. Confira: Anderson Baltar: Como surgiu a ideia do enredo? Annik: A gente já tinha a vontade de fazer um enredo que tocasse as pessoas e tivesse uma mensagem emocional, de amor. Recebemos um e-mail com a sugestão de um enredo sobre o páo. Só que a proposta era de um enredo histórico. Gostamos da ideia de usar o pão como pano de fundo para o nosso enredo, mas usar para falar do momento atual do país e do mundo, da falta de amor e de companheirismo e da intolerância política e religiosa.  A Tijuca tinha uma linha de Carnavais, desde Paulo Barros. E Laíla e Fran vieram da Beija-Flor com outra proposta. Qual será o estilo de desfile? Leve e alegre que nos acostumamos ou um pouco mais clássica? Marcus: Um pouco dos dois. Tanto para nós quanto para eles é um estilo diferente de enredo. E tudo se encaixou perfeitamente.  Fran Sergio: Todos tínhamos a vontade de fazer um enredo com essa pegada. Vai se criar uma nova forma de desfile. O samba já mostra isso. É uma outra Tijuca que irá para a avenida.  Teremos alegorias humanas? Annik: Sim! Fran Sergio: Teremos a alegria e a leveza da Tijuca, mas a pompa e o luxo dos bons tempos da Beija-Flor.  Marcus: Você vai falar que não é Beija-Flor, nem Tijuca. É uma nova forma de Carnaval. Hélcio: Queríamos fazer um enredo mais humanitário e ter um grande samba. Era uma deficiência da escola. Apesar de cantarmos muito, batíamos na trave. O trabalho do Laíla aprimorou muito a qualidade dos sambas e fomos muito felizes porque tivemos uma final com quatro grandes obras. Estamos apostando no trabalho de barracão e no samba, que já foi abraçado pela comunidade. Fran Sergio: O Laíla é um grande mestre e está com sangue nos olhos, com vontade de ser campeão. E, a despeito de toda experiência,  a mente dele é mais jovem que a nossa. Annik: Quando estamos desanimados, ele vem e nos incentiva.  O que podemos saber desde já do que será mostrado na avenida? Fran Sergio: Contaremos a história do pão, não só o alimento, mas o pão material, espiritual e social. Falaremos do início do pão, das primeiras civilizações que o desenvolveram. Temos uma parte religiosa, mostrando o pão da vida. Enfocaremos a era das revoluções, surgidas por conta da falta do "pão", mostraremos a chegada do alimento ao Brasil, dos negros nos tumbeiros vindo para cá à base de pão e água. E terminamos com uma crítica social, a toda essa desigualdade e intolerância. Se cada um fizer sua parte, ou seja, cada macaco estiver no seu galho, teremos um mundo melhor.  Vivemos a pior crise financeira da história do Carnaval. No que vocês apostaram para diminuir os custos? Hélcio: O presidente pediu para não tivermos excessos e desperdício. Vamos trabalhar bastante com materiais alternativos. Fran Sergio: Tem muita palha, capim. As roupas não são muito grandes, porque queremos que a escola evolua  e cante muito. E também diminuímos um setor: ao invés de seis carros, desfilaremos com cinco. Marcus: Fizemos também um trabalho grande de pesquisa de materiais. Fomos em São Paulo procurar e conseguimos muita coisa a um preço bem mais baixo. Hélcio: O corte mais sensível na estrutura é o de uma alegoria. Temos uma ala a menos do que ano passado. Não podemos prejudicar a qualidade do espetáculo.  2018 foi um ano de transição. Para 2019, podemos considerar a Tijuca de volta pra briga, mesmo desfilando no domingo? Annik: Sem dúvida. Inclusive, a Tijuca já foi campeã desfilando no domingo.  Fran Sergio: E ainda vamos encerrar o desfile. Eu, particularmente, adoro. Ganhei alguns Carnavais na Beija-Flor nesta posição de desfile. Marcus: É o nosso objetivo.  Annik: Nos últimos anos, as escolas que trazem um grande samba têm sido campeãs. Nesse ano, além dos quesitos da Tijuca, que sempre foram fortes, temos um grande samba. Isso pode fazer a diferença. Hélcio: É fundamental agradar ao público. Se tivermos um grande samba, o público se empolgará e, certamente, influenciará os jurados.  Mesmo desfilando de dia? Marcus: O nosso último campeonato foi em 2014, com o enredo do Ayrton Senna, encerrando o desfile. Hélcio: Prefiro desfilar por último do que primeiro.  Fran Sergio: Já estamos preparando para desfilar de dia. Paleta de cores, materiais, tudo feito para brilhar com o sol. Hélcio: O nosso sonho é que o povo se empolgue com o samba e venha sambando atrás da Tijuca. Estamos trabalhando para isso. Ter um samba explodindo na Sapucaí é a melhor resposta e a maior satisfação.

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