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Anderson Baltar

Liminar da Justiça destitui Regina Celi, presidente do Salgueiro

Marcelo de Jesus/UOL
Regina Celi Fernandes, presidente do Salgueiro Imagem: Marcelo de Jesus/UOL
Anderson Baltar

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Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

17/08/2018 19h09

Uma das mais tradicionais escolas de samba do Carnaval carioca, os Acadêmicos do Salgueiro passam por um momento de turbulência política, com dois grupos disputando o comando da agremiação. Presidente da escola há 10 anos, Regina Celi Fernandes tem a eleição que a conduziu a mais quatro anos à frente da escola contestada pela chapa de oposição, liderada por André Vaz.

A novela, que já dura três meses, teve um capítulo importante nesta sexta-feira (17). Em decisão liminar obtida no final da tarde, a juíza Renata Gomes Casanova de Oliveira e Castro, da 2ª Vara Cível, determinou o afastamento da presidente da escola e a posse da chapa de oposição em um prazo de 48 horas.

Em caso de descumprimento, Regina deverá pagar uma multa diária de R$ 1 mil. A presidente se pronunciou através de sua assessoria: “Diante da decisão judicial, informo que cumprirei a determinação e afirmo que as medidas cabíveis já foram tomadas para suspender a liminar.”

O imbróglio começou em abril, poucos dias antes da eleição. A chapa de oposição conseguiu uma liminar cancelando o pleito, marcado para o dia 6 de maio, alegando irregularidades na chapa de Regina. A dois dias da eleição, porém, a chapa da situação derrubou a decisão e a votação ocorreu, com vitória de Regina Celi por 247 a 124 votos. Porém, a oposição continuou a recorrer em diversas instâncias na Justiça.

No início da semana, o grupo de André Vaz conseguiu um documento assinado pelo presidente da  Comissão Eleitoral da agremiação, Marcelo Monteiro, que determinava a sua posse – que foi considerado válido pela juíza. 

Enquanto a batalha judicial era travada, a comunidade do Salgueiro se preparava para o Carnaval em um mar de incertezas. Com um enredo que a comunidade sonha há muitos anos (“Xangô”), o Salgueiro passou por algumas crises nos últimos dois meses. Depois de 10 anos comandando a comissão de frente da escola, o casal Hélio e Beth Bejani deixou a agremiação. Sérgio Lobato foi contratado para a função.

Uma das melhores porta-bandeiras do Carnaval carioca, Marcella Alves foi afastada de suas funções por estar grávida (ela dará a luz em dezembro e pretendia se preparar para o desfile, que será em março). A presidente afirmou que seria apenas uma licença, mas Marcella, em suas redes sociais, a desmentiu. Em solidariedade, o mestre-sala, Sidclei, também deixou a escola.

Por outro lado, Regina reformou a quadra, criando um novo palco para a bateria, e nomeou como presidente de honra o empresário Rafael Alves, irmão de Marcelo Alves,  presidente da Riotur (Empresa de Turismo do Rio de Janeiro). Com a troca de poder, surgem dúvidas sobre como serão os próximos dias na vermelho e branca.

A poucos instantes de assumir a presidência da escola, André Vaz garante que vai recontratar o casal de mestre-sala e porta-bandeira e tornará nulos todos os atos tomados por Regina Celi após a sua eleição.

“Ela estava inelegível para o cargo e mesmo assim o assumiu. Desta forma, consideramos inválidos os atos tomados por ela após a eleição de 6 de maio. Por outro lado, afirmo que todos os profissionais que hoje trabalham na escola serão mantidos”, diz André, que ainda reitera que uma apuração dos gastos será realizada. “O salgueirense tem o direito de saber para onde foi o dinheiro que a escola arrecadou nos últimos anos”.

Advogado da escola, Ubiratan Guedes afirma que irá recorrer da decisão e que toda a movimentação da oposição baseia-se em um erro de interpretação. “Eles afirmaram que a Regina estava inelegível, mas a Justiça permitiu a eleição e ela venceu por 75% dos votos. A vontade dos salgueirenses é soberana. Se a Justiça determinar que a chapa estava errada, que se faça outra eleição. Mas, nunca assumir tendo perdido. Se declarar vencedor com apenas 25% dos votos é golpe”, afirma. 

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