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Anderson Baltar

Luxo, detalhismo e cores: Vila Isabel mostra fantasias para o Carnaval 2019

Eduardo Hollanda
Unidos de Vila Isabel apresenta suas fantasias para o Carnaval 2019 Imagem: Eduardo Hollanda
Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

19/08/2018 13h23

A Unidos de Vila Isabel apresentou, na noite deste sábado (18), as fantasias para o Carnaval 2019, quando apresentará o enredo "Em nome do Pai, do Filho e dos Santos. A Vila canta a Cidade de Pedro", do carnavalesco Edson Pereira. Segunda escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval, a Vila Isabel, que desde o título de 2013 não consegue voltar ao Desfile das Campeãs, pretende retornar à briga com um trabalho de muito luxo, detalhismo e cores para contar a história da cidade de Petrópolis.

O carnavalesco Edson Pereira, campeão pela Viradouro no Grupo de Acesso no último Carnaval, visivelmente emocionado com o resultado do trabalho, afirmou que após a apresentação das fantasias o seu otimismo em relação ao desfile da Vila Isabel se tornou ainda maior: "Apresentamos fantasias com riquezas de detalhes visando o conforto dos componentes na hora da evolução. Nosso trabalho está adiantado e nossa equipe trabalha muito unida. Agradeço imensamente as condições de trabalho que a atual administração tem nos proporcionado."

Pelo que demonstrou no evento, a Vila Isabel vem disposta, realmente, a brigar. A chegada de Edson, somada ao retorno do diretor de Carnaval Wilsinho e do intérprete Tinga (que estavam, respectivamente, na União da Ilha e Unidos da Tijuca), uma maior participação do patrono Capitão Guimarães e a efetivação de um mestre de bateria da comunidade (Macaco Branco), geraram um caldo de animação na comunidade.

Eduardo Hollanda
Imagem: Eduardo Hollanda

A Vila apresentará, em seu início de desfile, fantasias suntuosas e em tons de azul e branco para retratar o encontro da coroa da escola com a coroa da Família Imperial. A ala das baianas, com o símbolo da escola, promete ser um dos pontos altos do desfile, com uma fantasia que arrancou aplausos emocionados da comunidade. Depois, ao longo do passar das alas, a paleta de cores começa a se tornar mais variada. O primeiro setor, que traz o sonho de D. Pedro 1º em construir a cidade, termina com fantasias de puro requinte, retratando Petrópolis como a Versailles brasileira.

O segundo setor abusa do colorido e dos tons cítricos para mostrar as belezas naturais da região onde a cidade foi erguida. O destaque é a fantasia dos índios coroados, os primeiros habitantes da região, e das borboletas, que prometem causa impacto com suas asas gigantescas e de leve bailado.

O terceiro setor trará a influência dos estrangeiros na colonização de Petrópolis. Em meio a alas de ingleses, árabes, italianos, franceses e alemães (esta roupa, por sinal, uma das mais bem resolvidas, com um leve e divertido barril de chope em volta do componente), virão a bateria e os passistas. Enquanto os ritmistas terão uma roupa leve para representar a chegada da ferrovia a Petrópolis, os passistas desfilarão com uma roupa suntuosa, lembrando o caminho do outro.

No quarto setor, a Vila traz a importância política da cidade em momentos como a Revolta da Armada e a assinatura do Tratado de Petrópolis. Como não poderia deixar de ser, os tons de verde e amarelo predominam. Depois, são lembrados o papel de Petrópolis na história do cinema nacional, o Hotel-Cassino Quitandinha. O pai da aviação, Santos Dumont, morador da cidade, também é relembrado.

O desfile da Vila Isabel traz, em seu final, uma conexão entre o passado e futuro. Enquanto uma ala de escravos, em alusão aos festejos da Lei Áurea, encerra o desfile, a presença do maior computador da América Latina na cidade é retratada em uma fantasia de impacto e tons prateados.

As inscrições para as alas de comunidade da Vila Isabel estão abertas. Os interessados em desfilar deverão procurar a secretaria da quadra da escola, de segunda à sexta, das 10h às 19h, É preciso apresentar cópias do RG, CPF e do comprovante de endereço, uma foto 3x4 e pagar a taxa de R$ 50.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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Divulgação de patrocinador faz surgir esperança de ensaios técnicos no Rio

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Liesa cobra cumprimento de promessa de subvenção oficial de R$ 1 mi

Em mais um capítulo da estremecida relação entre escolas de samba e Prefeitura do Rio, a Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) convocou uma plenária no noite de segunda-feira (10) para buscar soluções em relação ao financiamento do desfile de 2019. Após a verba oficial ter sido reduzida de R$ 2 milhões para R$ 1 milhão no Carnaval de 2018, a Prefeitura anunciou, via Diário Oficial, o repasse de apenas R$ 500 mil para as escolas de samba do Grupo Especial. A mudança de planos, a menos de três meses dos desfiles, pegou as escolas de surpresa e é mais um gargalo financeiro que surge para o planejamento dos desfiles. Nas últimas semanas, patrocinadores fortes, como os Supermercados Guanabara saíram do desfile. A Uber, que apoiou cada agremiação em R$ 500 mil via edital aberto pela Riotur, anunciou que não renovará o contrato. No último final de semana, apenas Portela, São Clemente e Imperatriz Leopoldinense realizaram eventos em suas quadras. Em entrevista coletiva após o final da plenária, o presidente da Liesa, Jorge Castanheira, afirmou que as escolas de samba irão cobrar com maior veemência uma resposta da Riotur. "Com muita surpresa que recebemos a informação pelo Diário Oficial. Em todas as reuniões com a prefeitura ao longo do ano não nos disseram que a verba seria reduzida. Causa estranheza, às vésperas do evento, esse corte. As escolas querem uma nova reunião com a Riotur para reverter esse quadro, porque seria a demonstração de total descaso com o espetáculo. Injetamos milhões na economia da cidade e queremos ser ouvidos", afirmou. Castanheira salientou que o prefeito o recebeu apenas uma vez, em setembro. E, em todas as demais reuniões, os interlocutores da Prefeitura foram o secretário de Casa Civil, Paulo Messina, e o presidente da Riotur, Marcelo Alves. De acordo com o presidente da Liesa, em momento algum foi cogitada a redução dos repasses. Nas reuniões com os secretários, ficou acordado que a verba de R$ 1 milhão seria paga em quatro parcelas: as duas primeiras, em novembro e dezembro, seriam de R$ 250 mil. A terceira, em fevereiro, de R$ 400 mil. Já a última, de R$ 100 mil, seria paga após o Carnaval, com a devida prestação de contas das parcelas anteriores.  "Isso tudo foi planejado. Agora, vir dizer pelo Diário Oficial que tudo mudou? O que a prefeitura quer? Acabar com o Carnaval do Rio de Janeiro? O prefeito tem que se sensibilizar com a situação do Carnaval", desabafou o presidente da Liesa, que destacou que a diminuição do apoio oficial a menos de três meses do desfile pode causar um dano à cadeia produtiva do Carnaval: "Uma coisa é você captar dentro de um planejamento. Outra coisa é ser pego de surpresa em dezembro. Está faltando um pouco de gestão na organização e respeito às escolas que são patrimônio da cidade. Disseram que o corte de verbas do Carnaval iria beneficiar a educação e a saúde e não é o que estamos vendo".  Questionado se o momento é o de pior relacionamento entre o Carnaval e o poder público, Castanheira afirmou que nunca foi tão difícil o diálogo com a Prefeitura. "Eles só nos dizem não, não e não. Acho que o prefeito não quer o Carnaval. O que está acontecendo é motivado pela religiosidade? ?Precisamos saber", afirmou o presidente da Liga, destacando que vários governantes do passado reconheceram a importância do Carnaval para a economia e cultura da cidade: "Brizola fez o Sambódromo, César Maia, a Cidade do Samba. Eduardo Paes ampliou a passarela. E agora? O que o prefeito quer?" A Liesa resolveu não mudar no regulamento e nem determinar a diminuição de alegorias ou alas nos desfiles de 2019. "Não há possibilidade. Os projetos estão prontos, cada carro alegórico e fantasia ajudam a contar uma história. Não vamos mexer no espetáculo. Esperamos conseguir resolver essa situação". Os ensaios técnicos, por sua vez, ainda não estão confirmados. Segundo Jorge Castanheira, há um projeto aprovado na Lei Rouanet e a liga procura parceiros. Nos bastidores do Carnaval comenta-se a possibilidade de uma proposta que as escolas deverão receber nos próximos dias para que a gestão financeira do desfile passe para as mãos do empresário Roberto Medina, organizador do festival Rock In Rio. Porém, este tema não foi abordado na plenária da liga.   

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Unidos da Tijuca quer voltar a ser campeã com Comissão reforçada

Uma das escolas que mais evoluíram nos últimos 20 anos no Carnaval carioca, a Unidos da Tijuca demonstra estar de volta à briga do título. Após o acidente no desfile de 2017 e de um Carnaval de entressafra em 2018, a azul e amarela trouxe como reforços para o seu barracão o diretor de Carnaval Laíla e o carnavalesco Fran Sergio. Eles se juntaram à Comissão de Carnaval formada por Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo, que já vinha trabalhando na agremiação desde os tempos em que o desfile era comandado por Paulo Barros.  Com a nova composição, a Comissão ganha a junção de duas filosofias que renderam campeonatos: a modernidade e leveza da Tijuca e o luxo e densidade dos desfiles da Beija-Flor. A mistura, à primeira vista inusitada, de acordo com os carnavalescos, dará certo na Sapucaí. A Tijuca, que encerrará o desfile de domingo, trará o enredo "Cada macaco no seu galho. Ó, meu Pai, me dê o pão que eu não morro de fome!", sobre toda a importância do pão no contexto histórico, religioso e social ao longo da trajetória da humanidade. Para saber mais detalhes do Carnaval da escola, conversamos com Annik, Fran Sergio, Hélcio e Marcus. Confira: Anderson Baltar: Como surgiu a ideia do enredo? Annik: A gente já tinha a vontade de fazer um enredo que tocasse as pessoas e tivesse uma mensagem emocional, de amor. Recebemos um e-mail com a sugestão de um enredo sobre o páo. Só que a proposta era de um enredo histórico. Gostamos da ideia de usar o pão como pano de fundo para o nosso enredo, mas usar para falar do momento atual do país e do mundo, da falta de amor e de companheirismo e da intolerância política e religiosa.  A Tijuca tinha uma linha de Carnavais, desde Paulo Barros. E Laíla e Fran vieram da Beija-Flor com outra proposta. Qual será o estilo de desfile? Leve e alegre que nos acostumamos ou um pouco mais clássica? Marcus: Um pouco dos dois. Tanto para nós quanto para eles é um estilo diferente de enredo. E tudo se encaixou perfeitamente.  Fran Sergio: Todos tínhamos a vontade de fazer um enredo com essa pegada. Vai se criar uma nova forma de desfile. O samba já mostra isso. É uma outra Tijuca que irá para a avenida.  Teremos alegorias humanas? Annik: Sim! Fran Sergio: Teremos a alegria e a leveza da Tijuca, mas a pompa e o luxo dos bons tempos da Beija-Flor.  Marcus: Você vai falar que não é Beija-Flor, nem Tijuca. É uma nova forma de Carnaval. Hélcio: Queríamos fazer um enredo mais humanitário e ter um grande samba. Era uma deficiência da escola. Apesar de cantarmos muito, batíamos na trave. O trabalho do Laíla aprimorou muito a qualidade dos sambas e fomos muito felizes porque tivemos uma final com quatro grandes obras. Estamos apostando no trabalho de barracão e no samba, que já foi abraçado pela comunidade. Fran Sergio: O Laíla é um grande mestre e está com sangue nos olhos, com vontade de ser campeão. 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