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Anderson Baltar

Com ótimos sambas, Mangueira lembra Marielle e Tijuca multiplica o pão

Reprodução/Instagram
Mangueira Imagem: Reprodução/Instagram
Anderson Baltar

Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

14/10/2018 12h13

O CD das escolas de samba do Grupo Especial recebeu um belo reforço na madrugada deste domingo (14). Mangueira e Unidos da Tijuca escolheram dois dos melhores sambas da safra do Carnaval de 2019. Se, na verde e rosa, o samba tem um forte viés político, citando a vereadora assassinada Marielle Franco, na escola do morro do Borel, o hino oficial tem um tom dolente e de oração, coerente com o enredo sobre a importância do pão na alimentação da humanidade.

Com quadra abarrotada, a Mangueira realizou uma das finais de samba mais aguardadas da temporada. Para contar o enredo “História para ninar gente grande”,  do carnavalesco Leandro Vieira, dois sambas dividiam o favoritismo: o samba da parceria de Deivid Domenico, que nunca havia vencido a disputa da escola; e a parceria de Lequinho, multi-campeã das disputas mangueirenses. Se a primeira parceria contava com uma torcida arregimentada nas redes sociais e um samba de melodia diferenciada, o outro tinha toda a experiência na disputa e uma obra no estilo que a Mangueira está acostumada a desfilar.

Curiosamente, na final, o samba que melhor se apresentou foi o da parceria capitaneada pelo veterano compositor Hélio Turco. Com 82 anos, ele acompanhou do palco o honesto desempenho de sua obra, que, a despeito da letra frágil, passou com muita animação e uma levada de anos 1980. Porém, na hora do resultado, o presidente Chiquinho da Mangueira sacramentou a vitória de Deivid Domênico, Tomaz Miranda, Mama, Marcio Bola, Ronie Oliveira e Danilo Firmino.

Seguindo à risca a sinopse do enredo, que exalta heróis esquecidos pelos livros de História, o samba da Mangueira ainda faz uma conexão com a realidade do país, exaltando a vereadora Marielle Franco. A decisão agradou em cheio à comunidade, que cantou o samba até o dia amanhecer. A Mangueira levará para a avenida um samba que promete motivar um ótimo desfile e despertar paixões políticas.

Já na Unidos da Tijuca, a final de samba começou conturbada com um apagão na quadra e, logo após, problemas no equipamento de som. O primeiro samba concorrente entrou no palco por volta das 3h30 da manhã e o tempo de apresentações das quatro parcerias finalistas foi reduzido de 30 para 20 minutos.

Sob a batuta do diretor de Carnaval, Laíla, a Unidos da Tijuca apresentou uma ótima safra de sambas, ao contrário do que aconteceu nos últimos Carnavais. Por volta das 6h da manhã, o intérprete Wantuir cantou o samba que promete ser um dos melhores da safra de 2019. Os seus compositores são Márcio André, Daniel Katar, Diego Moura, Channel, Maia, Dr. Jairo, Edson Carvalho e Junior Trindade.

Ouça e veja a letra  dos sambas da Mangueira e Unidos da Tijuca:

Mangueira
Compositores: Deivid Domênico, Tomaz Miranda, Mama, Marcio Bola, Ronie Oliveira e Danilo Firmino

BRASIL, MEU NEGO
DEIXA EU TE CONTAR
A HISTÓRIA QUE A HISTÓRIA NÃO CONTA
O AVESSO DO MESMO LUGAR
NA LUTA É QUE A GENTE SE ENCONTRA

BRASIL, MEU DENGO A MANGUEIRA CHEGOU
COM VERSOS QUE O LIVRO APAGOU
DESDE 1500 TEM MAIS INVASÃO DO QUE DESCOBRIMENTO
TEM SANGUE RETINTO PISADO

ATRÁS DO HERÓI EMOLDURADO
MULHERES, TAMOIOS, MULATOS
EU QUERO UM PAÍS QUE NÃO ESTÁ NO RETRATO

BRASIL, O TEU NOME É DANDARA
TUA CARA É DE CARIRI
NÃO VEIO DO CÉU
NEM DAS MÃOS DE ISABEL
A LIBERDADE É UM DRAGÃO NO MAR DE ARACATI

SALVE OS CABOCLOS DE JULHO
QUEM FOI DE AÇO NOS ANOS DE CHUMBO
BRASIL, CHEGOU A VEZ DE OUVIR AS MARIAS, MAHINS, MARIELLES, MALÊS

MANGUEIRA, TIRA A POEIRA DOS PORÕES
Ô, ABRE ALAS PROS TEUS HERÓIS DE BARRACÕES
DOS BRASIS QUE SE FAZ UM PAÍS DE LECIS, JAMELÕES

(SÃO VERDE- E- ROSAS AS MULTIDÕES)

MANGUEIRA, TIRA A POEIRA DOS PORÕES
Ô, ABRE ALAS PROS TEUS HERÓIS DE BARRACÕES
DOS BRASIS QUE SE FAZ UM PAÍS DE LECIS, JAMELÕES

Unidos da Tijuca
Compositores:  Márcio André, Daniel Katar, Diego Moura, Channel, Maia, Dr. Jairo, Edson Carvalho e Junior Trindade

MEU FILHO
COMO É LINDO O AMANHECER
REFLETE O SOL, A CRIAÇÃO
UM BOM DIA A RENASCER

PELOS OLHOS DO PAVÃO
SOU A FÉ NA VIDA
ESPERANÇA DA MASSA
AQUELE QUE NA DOR TE ABRAÇA
SOU EU, A VERDADE PRA QUEM PEDE LUZ
CARREGANDO A SUA CRUZ
O ALIMENTO EM COMUNHÃO
PRINCÍPIO DA SALVAÇÃO

OUÇO CHAMAR MEU NOME
OUÇO UM CLAMOR DE PRECE
CHORO AO TE VER COM FOME
SOU O CORDEIRO QUE A ALMA FORTALECE

SÓ EXISTE UM CAMINHO ( POR FAVOR)
CADA UM FAZ SEU DESTINO ( MEU SENHOR)
AS MIGALHAS DO PODER QUE O DIABO AMASSOU
ESTÃO DENTRO DE VOCÊ
AS MÃOS UNIDAS VEM PEDINDO O PERDÃO
GENTE SOFRIDA COM A PAZ NO CORAÇÃO

DIVIDEM O POUCO QUE TEM PRA COMER

Ó MEU PAI O SEU AMOR É A RECEITA
ILUMINAI, QUE NÃO ME FALTE O PÃO NA MESA
DERRAME IGUALDADE, PROSPERIDADE
AS BÊNÇÃOS DO CÉU
SE DEUS É POR NÓS, ESCUTE A VOZ
QUE VEM DO MEU BOREL

HOJE A TIJUCA PEDE EM ORAÇÃO
VESTE A FANTASIA PRA FAZER O BEM
MULTIPLICA O SAGRADO PÃO

AMÉM ( AMÉM)

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