CD do Grupo de Acesso carioca traz uma boa safra de sambas

Felipe Araújo
Compositores da Acadêmicos do Cubango Imagem: Felipe Araújo
Anderson Baltar

Anderson Baltar

Anderson Baltar é jornalista, formado pela UFRJ e tem 42 anos. Com mais de 15 anos de experiência na mídia carnavalesca, foi assessor de imprensa da União da Ilha e Império Serrano, produtor de Carnaval da TV Globo e trabalhou em coberturas de desfiles nas rádios Manchete e Tupi. Desde 2011, é âncora e coordenador da Rádio Arquibancada, web rádio com programação inteiramente voltada para o Carnaval. Em 2015, lançou o livro "As Primas Sapecas do Samba", ao lado dos também jornalistas Eugênio Leal e Vicente Dattoli.

28/11/2018 13h43

 Já disponível nas lojas e nas plataformas digitais, o CD das escolas de samba da Série A (Grupo de Acesso) do Carnaval Carioca traz uma das melhores safras de sambas-enredos dos últimos anos. Muito menos divulgadas do que as coirmãs do Grupo Especial, as escolas que desfilam na sexta-feira e no sábado de Carnaval trazem enredos bastante instigantes e, sem dúvidas, isso se refletiu na qualidade dos sambas.

O novo álbum também aponta para o amadurecimento da produção, já há mais de uma década sob a batuta do músico e intérprete Leonardo Bessa. Se, nos últimos anos, as gravações pecavam por serem excessivamente lentas nas primeiras passagens dos sambas, no disco de 2019, a presença da bateria se dá desde o início da faixa, fazendo do álbum ideal para animar festas e churrascos.

Seguindo o modelo bem-sucedido lançado pela Renascer de Jacarepaguá há cinco anos, um número significativo de escolas decidiram não realizar a disputa de sambas-enredos, entregando os mesmos a compositores renomados do gênero. Das 13 escolas do grupo, quatro se valeram deste artifício: além da própria Renascer, Inocentes de Belford Roxo, Acadêmicos do Sossego e Acadêmicos de Santa Cruz. Já a Unidos da Ponte, que volta ao grupo após 15 anos de ausência, se vale da reedição de seu samba "Oferendas", apresentado no Carnaval de 1984.

Nas oito escolas que realizaram as tradicionais disputas de samba, há outro traço a se notar: a confirmação da tendência de parcerias consagradas, vencedoras em escolas do Grupo Especial, emplacando os sambas nas escolas deste grupo. Se, por um lado, a qualidade das obras aumenta, por outro, traz um problema que a cada ano se mostra de mais difícil solução: a comercialização das disputas de samba e os gastos astronômicos se irradiaram para a Série A. Estas escolas, que até pouco tempo atrás eram reveladoras de novos compositores, acabaram aderindo à fórmula que engessa a renovação de poetas. É urgente que este problema seja encarado de frente. As escolas dos grupos inferiores não podem perder sua função de servir de laboratório para o surgimento de novos talentos.

No que diz respeito aos sambas, neste primeiro momento, chamam a atenção os sambas da Acadêmicos de Santa Cruz, Renascer de Jacarepaguá e Acadêmicos do Cubango. A Santa Cruz, que nos últimos anos acumula péssimas colocações e sambas esquecíveis, acertou em cheio com o hino em homenagem à atriz Ruth de Souza. Já a Renascer emplaca outra bela obra da parceria formada por Cláudio Russo, Diego Nicolau e Moacyr Luz para enaltecer os festejos de Iemanjá na Bahia. O Cubango, que fez disputa de sambas, traz uma trilha sonora empolgante para ilustrar o enredo "Igbá Cubango" sobre os amuletos que usamos em nossa vida cotidiana. Unidos de Padre Miguel, Estácio de Sá, Alegria da Zona Sul, Acadêmicos do Sossego e Império da Tijuca também trazem sambas interessantes e que devem render mais ainda até o Carnaval.

Por outro lado, a Porto da Pedra decepciona com o samba que conta a vida e obra do ator Antônio Pitanga. E a Inocentes de Belford Roxo traz o hino de melodia mais inusitada do ano. Em um primeiro momento causa estranheza e, certamente, dividirá opiniões dos aficionados por Carnaval até os desfiles. 

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