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Rio de Janeiro

"Carnaval é uma festa apenas, Rio não é só Carnaval", afirma Crivella

AP Photo/Silvia Izquierdo
Bloco "Loucura Suburbana", retratou o prefeito do Rio com chifres do Diabo Imagem: AP Photo/Silvia Izquierdo

Marcio Dolzan e Roberta Pennafort

do Rio

09/02/2018 15h19

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (PRB), compareceu, na manhã desta sexta-feira, 9, à cerimônia de entrega simbólica da chave da cidade ao Rei Momo, ato que abre oficialmente o Carnaval na cidade. Mas não foi ele que passou o objeto às mãos do monarca, e sim o filho de um ex-funcionário da prefeitura, já falecido, ligado aos desfiles das escolas de samba. Neste momento, o prefeito ficou afastado.

A entrega vinha cercada de expectativa porque se trata de um gesto tradicional dos prefeitos do Rio, e, no ano passado, em seu primeiro Carnaval no posto, Crivella faltou à cerimônia. Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, que condena a folia, ele vem sendo tachado pelas escolas e por foliões de blocos de Carnaval de "prefeito anticarnavalesco".

Nesta sexta, mais cedo, ele havia ido ao Sambódromo fazer uma inspeção nas instalações de som e luz para os desfiles. Após a visita, declarou que "o Carnaval é apenas uma festa", e que a cidade tem muitos problemas a serem resolvidos. Afirmou ainda que "o sonho" da prefeitura é que as escolas de samba sejam financiadas, no futuro, apenas pela iniciativa privada, sem que dependam de recursos públicos.

Na visita à Passarela do Samba, o prefeito desdenhara do gesto de entregar a chave ao Rei Momo. "Esse negócio da entrega da chave está virando um dogma religioso. A vida inteira se entregou chave para o Rei Momo. Melhorou a educação? Melhorou a saúde? Tem alguma coisa importantíssima nisso? Se não entregar vai ter crise da dengue? Enchente no verão? Queria saber: me cobram tanto para entregar essa chave, tem uma relevância?", indagou.

"O Carnaval é importante, estamos aqui para aplaudir as pessoas, esse esforço extraordinário. A maioria é de pessoas simples e humildes, que admiramos. Agora, na escala de hierarquias, é uma festa apenas. Bem representativa desse esforço que todos temos para ressurgir das nossas tragédias. Mas o Rio de Janeiro não é só Carnaval, tem suas escolas, hospitais, poluição de rios e lagoas, desemprego imenso, crianças morrendo de bala perdida."

Compreensão

Crivella, na ocasião, também agradeceu a "compreensão" das escolas de samba com a redução da verba destinada aos desfiles esse ano - que caiu de R$ 2 milhões para R$ 1 milhão. Ele vem sendo considerado pelas agremiações um "traidor" do Carnaval, uma vez que as escolas o apoiaram em sua campanha eleitoral, em 2016.

O prefeito reafirmou que este ano a cidade bateu recorde de arrecadação de recursos privados. "Isso faz com que a gente vislumbre no futuro, o que é o sonho de todos nós: que o Carnaval seja só com recursos privados, como é, por exemplo, o Rock in Rio, que tenha só verbas privadas e grande lucratividade. Essa é a ideia", declarou.

Ao fim da cerimônia da entrega da chave, de madeira e ornamentada com lantejoulas, no Palácio da Cidade, sede da prefeitura, quem declarou aberto o Carnaval foram o presidente da Riotur, Marcelo Alves, e o Rei Momo, Milton Rodrigues, e não Crivella.

A entrega foi feita por Sergio de Jesus, filho de José Geraldo de Jesus, o Candonga, que era coordenador dos desfiles e morreu há 20 anos. Pela ligação forte com o Carnaval, sua família é guardiã da chave até hoje.

Crivella disse no evento que o Carnaval serve de escape para as dificuldades do povo Carioca. "O momento de Carnaval é um pouco paradoxal, porque nós vivemos com o coração estraçalhado, de tanta violência, da nossa desigualdade que se perpetua ao longo do tempo. Temos bairros urbanizados, tão bonitos e comunidades carentes ainda necessitando de tanta coisa."

Ao saudar a secretária municipal de Cultura, Nilcemar Nogueira, comentou: "Grande parte da família dela é da minha igreja". Depois fez outra menção religiosa: "Não é verdade quando as pessoas dizem que o prefeito tem qualquer tipo de preconceito contra o Carnaval. Até porque sou alvo de muito preconceito e discriminação. É assim desde criança, desde que me converti. O que não quero é estragar a festa", finalizou.

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