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Rio de Janeiro

Em meio à crise, escolas do Rio criam sambas criativos e politizados

Bruna Prado/UOL
Imagem: Bruna Prado/UOL

Anderson Baltar

Colaboração para o UOL, no Rio

11/12/2017 04h00

Como de praxe nesta época do ano, o CD dos sambas-enredos das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro já está disponível nas lojas e plataformas digitais. Em meio a uma pré-temporada turbulenta, com redução de incentivos, atrasos nos barracões e cancelamento dos ensaios técnicos na Sapucaí, as agremiações reagem com uma safra interessante, reafirmando a retomada de qualidade do gênero samba-enredo nesta década.

Uma das campeãs de 2017, a Mocidade Independente de Padre Miguel ponteia a safra, com uma obra que já desponta como a favorita do público e crítica carnavalesca. Homenageando a Índia, a verde e branca traz um hino inspirado, que conta com a assinatura dos consagrados Altay Veloso e Paulo Cesar Feital, e que com uma letra inteligente e uma bela melodia, que dialoga com a tradição musical do país asiático, desemboca em um refrão vigoroso.

A Beija-Flor de Nilópolis, que aposta em um enredo de cunho político sobre a injustiça social e a intolerância religiosa, é outro destaque da safra. Com uma melodia de pegada e letra de forte tom panfletário, promete propiciar mais um habitual show de evolução de sua comunidade. A Imperatriz Leopoldinense, que abordará os 200 anos do Museu Nacional, traz uma obra classuda, de letra inspirada, melodia sinuosa e envolvente e que desemboca em dois refrãos irresistíveis.

No pelotão de frente da safra também está a Estação Primeira de Mangueira. Com um enredo influenciado pelo corte de verbas no Carnaval promovido pelo prefeito Marcelo Crivella, traz um samba com o velho estilo “arrasta-povo”, tão caro à verde e rosa. Certamente propiciará um desfile explosivo, com um tom de Carnaval de rua – por sinal, integrantes de vários blocos da cidade foram convidados a se juntar ao contingente da agremiação. De comunidade vizinha e com enredo também panfletário (uma abordagem sobre a escravidão com os 130 anos da Lei Áurea de pano de fundo), o Paraíso do Tuiuti traz um samba com melodia diferenciada e com um belo refrão principal.

Marco Antônio Teixeira/UOL
Homenageando a Índia, Mocidade Independente de Padre Miguel tem samba que já desponta como a favorita do público e crítica carnavalesca Imagem: Marco Antônio Teixeira/UOL

É praticamente certo que o segredo de um bom samba-enredo parte de um enredo que seja inspirador ou que tenha relação com as tradições de uma comunidade. Porém, como toda regra tem sua exceção, o Império Serrano se sai bem com um tema que pouco tem a ver com sua essência: a China. Os compositores da verde e branca “tiraram leite de pedra” e compuseram uma obra que mexe com os brios dos componentes da tradicional escola, nove vezes campeã do Carnaval e que não figurava no Grupo Especial há quase dez anos.

A Portela, na sua luta pelo bicampeonato, traz um samba apenas regular. Para contar a história de judeus portugueses que colonizaram Pernambuco e ajudaram a fundar Nova York, a composição se vale de uma melodia um tanto repetitiva e de uma letra eivada de clichês. Os clichês também são a marca do samba da Unidos da Tijuca. Para homenagear o ator e diretor Miguel Falabella, as soluções de melodia e letra esbarram em um déjà vu, cada vez mais recorrente nos sambas da escola tijucana.

Escolas conhecidas pela irreverência, União da Ilha e São Clemente trazem obras razoáveis. A tricolor, falando da formação da culinária brasileira, aposta em um samba animado e com bons refrãos, que certamente garantirão um desfile animado. A preta e amarela de Botafogo, abordando os 200 anos da Escola Nacional de Belas Artes, traz um hino de bela melodia, mas que não explode em momento nenhum.

Notabilizado por fazer desfiles explosivos, o Salgueiro traz outro samba que compõe bem a safra. Sem grandes novidades melódicas e com uma letra descritiva, exalta a importância das mulheres negras com uma obra valente, que certamente poderá garantir uma boa evolução de seus componentes.

Reprodução
Capa do CD dos sambas-enredo do Carnaval 2018 do Rio de Janeiro Imagem: Reprodução

Famosa pela qualidade de seus sambas, a Unidos de Vila Isabel deixou a desejar neste ano. O samba, para um enredo sobre a história da evolução tecnológica, soa frágil e aborrecido a maior parte do tempo. É o típico caso em que não aconteceu a famosa “química” entre escola e samba-enredo. Já a Grande Rio, homenageando o comunicador Chacrinha, repete a fórmula do Carnaval passado, quando exaltou a cantora Ivete Sangalo. Na busca por um samba de explosão, acabou optando por uma obra pobre de letra e melodia.

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