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Contra o preconceito no Carnaval, Império da Casa Verde lança ala LGBT

Marcelo Justo/UOL
Ricardo Gomes (de chapéu) e a ala LGBT da Império da Casa Verde Imagem: Marcelo Justo/UOL

Soraia Gama

Colaboração para o UOL, em São Paulo

14/01/2018 13h00

O ensaio da Império de Casa Verde na noite de sábado (13/1) teve um motivo a mais para animar a festa na quadra da Caçula do Samba. A escola aderiu à campanha “Carnaval é alegria, diga não à LGBTfobia”. A iniciativa é da Coordenação de Políticas para LGBT da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) e faz parte do Projeto “São Paulo com ReSPeito”, que tem como objetivo reduzir a LGBTfobia no Carnaval.

A ideia surgiu no ano passado durante uma reunião na Câmara de Comércio LGBT e Turismo LGBT do Brasil (CCLGBTB), com quem a Império firmou parceria para apresentar, pela primeira vez, uma ala composta por pessoas LGBT.

“Até dentro do Carnaval tem preconceito. Existe o cabelereiro gay, a maquiadora lésbica que ajudam a escola, a comunidade. Os gays ricos que são maravilhosos e bancam suas fantasias milionárias. Isso todo mundo acha lindo. E a pessoa enquanto ser humano? E quem não tem nada para oferecer? A luta é para que essas pessoas sejam aceitas como são, independentemente do que tenham a oferecer. Seja da força de trabalho, seja do seu poder aquisitivo. É aceitar o outro como ele é”, defende Ricardo Gomes, presidente da CCLGBTB e componente da Império.

Ricardo conta que a Vai Vai também faz parte da campanha e a Pérola Negra sinalizou interesse recentemente. “Para esse projeto [na Império] tivemos patrocínio e fizemos as camisetas, mas o objetivo é a conscientização. Se não tiver camiseta, vamos do mesmo jeito. A escola divulga nas redes sociais que assume o compromisso de fazer um Carnaval sem LGBTfobia. Isso é o mais importante. A Câmara promove, traz o povo. Tem muita gente aqui que nunca tinha pisado em uma escola samba”, comemora ele, que viu a aceitação do projeto logo de cara. “A Império adorou a ideia.”

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Marcelo Justo/UOL
Tiffany, jogadora de vôlei, no ensaio da Império da Casa Verde Imagem: Marcelo Justo/UOL
Entre os convidados da Câmara estavam os integrantes do time AngelsVolleyBrazil – time de vôlei amador masculino com 100% dos jogadores gays. “O time existe há dez anos e agora fomos convidados pelo consulado francês a jogar no campeonato mundial deles. É amador, mas conta com os melhores times gays de cada país. Do Brasil somos nós e um time de vôlei feminino do Rio de Janeiro”, explica Willy Montmann, capitão e fundador do Angels.

Desfilar no Carnaval não é novidade para Willy, que já saiu em várias escolas da capital paulista. Mas estar em uma ala LGBT é inovador e gratificante. “Carnaval é a única época do ano onde existe uma inclusão cem porcento. As escolas valorizam suas comunidades, ajudam e geram integração. Os gays e os transexuais são aceitos, saem em carros, têm destaque e uma evidência bacana. Mas essa iniciativa de ter uma ala LGBT é um ato inovador, corajoso e importante. Só existe aceitação onde existe a inclusão.”

Tifanny, a primeira jogadora trans da elite do vôlei brasileiro, que joga pelo time de Bauru, estava presente no camarote como musa do AngelsVolley e não vê a hora de chegar o grande dia. “Era o meu sonho. Estou realmente emocionada por estar aqui. E feliz que a escola vai abrir espaço para esse assunto. Agradeço de coração”, diz a jogadora.

Com o enredo “O povo: a nobreza real”, a ala LGBT da Império será um mix: metade nobre e a outra metade rica. “Recebemos 50 fantasias que acabaram em menos de uma semana. Estamos estudando com a escola de vender fantasias para a ala ser LGBT e simpatizantes. Tudo o que fazemos [na Câmara] não fechamos só para LGBT, senão estaríamos fazendo a mesma coisa. A época do gueto tem de acabar. Todo mundo pode viver bem, em qualquer lugar, desde que com respeito”, defende Ricardo.

Um sonho gay

“Eu gosto de gente. Tenho um filho de 22 anos e me casei com a mãe dele no meio da faculdade. Não me casei para esconder nada de ninguém. Fiz isso porque estava apaixonado. Hoje sou casado com um homem e posso dizer que nunca sofri grandes preconceitos. Primeiro porque tive uma vida hétero normativa até 12 anos atrás. E também porque as pessoas não abusam quando veem dois homens de 1,90 metro juntos [risos]. Mas também penso que as pessoas me respeitam pela minha postura [mais séria]”, relata Ricardo Gomes, que desfila na Império há oito anos.

Para o imperiano e presidente da Câmara de Comércio LGBT vivemos todos em um mundo muito chato. “Sonho com o dia em que não precisemos mais de uma Câmara LGBT, que só seja preciso uma Câmara de Comércio e só. A gente não precisaria de uma Delegacia da Mulher, mas hoje tem de ter! Hoje temos a Câmara para incentivar as pessoas a tratar bem o público LGBT, ter respeito, fazer negócios. Queremos ter todo mundo junto e misturado. Temos associados que não vendem produto específico para LGBT. Existe comida LGBT, dentista LGBT? Não! No entanto, essas pessoas estão na Câmara porque são comprometidas com a diversidade. Aprendem a lidar, tratar e fazer coisas bacanas, com qualidade. Sempre respeitando cada um com sua orientação sexual, sua religião, seja lá o que for.”

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