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Ele pediu para ela desistir do Carnaval, mas acabou virando mestre-sala

Thiago Calil/Divulgação
Simone e Jairo, da Tom Maior Imagem: Thiago Calil/Divulgação

Soraia Gama

Colaboração para o UOL, em São Paulo

22/01/2018 04h00

Jairo Silva e Simone Gomes formam o primeiro casal de Mestre-sala e Porta-bandeira da Tom Maior. Atualmente são os únicos da elite do samba a levar para o Anhembi a cumplicidade de um casamento, que já dura 26 anos. Somando com o tempo de namoro e noivado, eles estão juntos há 31. Vinte e três deles carregando o pavilhão da escola vermelha e amarela.

Os dois se conheceram em um baile. E não era um baile de Carnaval. Papo vai, papo vem... Jairo foi levar a moça em casa. “Levei um susto. Tinha um monte de gente na rua, pensei que fosse briga”, conta ele, que até então não sabia que Simone morava em frente à quadra da Pérola Negra e, detalhe, era a 2ª porta-bandeira da escola da Vila Madalena.

Facebook/Reprodução
Casal na avenida e na vida real também Imagem: Facebook/Reprodução

Simone explicou o cenário todo, disse como funcionava o ensaio e Jairo ficou ali, só de olho. “Ele parecia um segurança”, diverte-se ela. “Depois de dois domingos ele me disse que era para eu escolher entre ele e o Carnaval. O namoro era muito recente e meu sonho era ser primeira porta-bandeira. Daí escolhi o Carnaval e pensei: ‘perdi o namorado’. Mas no dia seguinte ele voltou como se nada tivesse acontecido”, relembra a porta-bandeira.

“Fiquei em choque. Não esperava aquela resposta”, conta ele, que recebeu um conselho certeiro da mãe naquela noite: “se há amor, o samba não vai atrapalhar”. E não mesmo! Aliás, depois desse episódio Jairo despertou para o Carnaval e acompanhou a Pérola na apoteose [os desfiles em São Paulo aconteciam na Avenida Tiradentes – o Sambódromo do Anhembi só foi inaugurado em 1991]. “Ele arrumou uma fantasia e foi com a gente”, orgulha-se Simone, que no Carnaval seguinte ganhou o posto de primeira porta-bandeira.

Jairo não assumia o ciúme da namorada na época, mas faz questão de dizer que o parceiro dela na Avenida era “muito metido a besta”. Por essas e outras o moço entrou de cabeça no concurso de casais no ano seguinte. Ao lado de Andréia, irmã de Simone, os dois venceram a disputa. “Ele dançava muito bem samba-rock, então o incentivei. E minha irmã já tinha sido da Comissão de Frente. Daí deu certo”, comemora a porta-bandeira.

Thiago Calil/Divulgação
Enciumado, Jairo entrou no concurso para virar mestre-sala Imagem: Thiago Calil/Divulgação

Depois de desfilar como segundo casal ao lado da cunhada, na Pérola, Jairo também defendeu o pavilhão da Unidos do Peruche, que já era do Grupo Especial. “Eu ia ser o segundo, mas teve um problema na escola e me colocaram como primeiro mestre-sala. E as coisas foram acontecendo”, resume ele.

A história com a Tom Maior começou em 1993, já como primeiro casal no Carnaval de 1994. Não fossem pelos dois anos [2005 e 2006] que defenderam o pavilhão da Império de Casa Verde, eles estariam completando Bodas de Prata, com 25 desfiles.

Na verdade, eles chegaram a desfilar nas duas escolas em alguns anos, quando estavam em grupos diferentes e as regras permitiam. Mas a partir de 2007 só deu Tom Maior. 

Em casa, na quadra, no Anhembi...

Não deixar a vida a dois se tornar maçante e monotemática é um exercício diário. Claro que em tempos que antecedem o desfile o assunto é só Carnaval. “Nós nos damos muito bem. Há um equilíbrio na nossa relação. Eu me cobro muito e ele é mais leve com as coisas”, diz Simone, que admite pegar no pé do marido em questões familiares. “Acho que cumplicidade é fundamental e nós temos isso. Mas às vezes solto um ‘acorda pra vida’. Digo que ele é oito e eu sou oitenta. E se eu quiser brigar vou brigar sozinha.”

Divulgação
Jairo e Simone durante desfile de 2017 Imagem: Divulgação

Em casa, com os filhos, é mãe pra lá mãe pra cá. Mas na dança de um casal, independentemente do ritmo, é o homem quem normalmente conduz a dama. E agora? “Já teve vez que ele me chamou a atenção depois de uma apresentação. Disse que eu não tinha deixado ele me levar”, releva Simone, que se desespera mais ao perceber uma falha. “Ele não. Consegue manter o controle.”

A força e iniciativa de Simone mais a tranquilidade de Jairo parecem dar o ritmo perfeito na relação. Seja na intimidade do lar ou nas apresentações. Para ele não há mistério. “O casal precisa ter diálogo e sempre dizer a verdade. Nós também mantemos uma postura respeitosa no samba, porque é preciso respeitar para ser respeitado”, ensina o mestre-sala.

Não se cansam de ensaiar

O leve e encantador bailado de um casal não é feito apenas da coreografia. Os olhares e o toque das mãos também revelam esse companheirismo. É um cortejo que encanta o público e vale ponto. Por isso, mesmo depois de muitos anos juntos eles garantem que é necessário ensaiar. “A gente sempre aprende coisas novas. E é preciso manter a nossa cumplicidade”, diz a sambista.

O casal já fez laboratório com o Edinei Mariano, profissional respeitado no Carnaval paulistano, mas por questões financeiras neste ano isso não foi possível. A saída foi gravar os ensaios de quadra e os do Anhembi, que são essenciais para que ambos tenham uma noção atualizada do espaço. Afinal, cada novo samba-enredo merece uma coreografia a altura.

Thiago Calil/Divulgação
Casal durante ensaio de rua da agremiação Imagem: Thiago Calil/Divulgação

Família unida no samba

Fã de Selminha Sorriso, a porta-bandeira da Beija-Flor (RJ), Simone começou cedo no Carnaval paulistano. Com samba no pé, mãe e tias responsáveis por alas [começaram na Pérola Negra] e morando em frente à escola fica fácil imaginar por que ela fez sua estreia como destaque-mirim aos 5 anos.

A família está em peso na agremiação vermelha e amarela. Simone e Jairo como primeiro casal, Pâmela, a filha de 26 anos, é rainha de bateria, Andréia, irmã de Simone e ex-parceira de Jairo, é madrinha de bateria e mulher de Carlão, mestre da Tom 30. E na Velha-Guarda, cheia de orgulho, está Duda, a mãe de Simone.

Só fica de fora Caíque, o filho caçula, que neste ano até vai sair como apoio do casal, mas o Carnaval não faz a cabeça do moço. Pelo histórico, ele só pode ter puxado ao avô materno, que nunca desfilou. Ou então a família de Jairo, que torce por eles. Mas só pela TV.

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