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Blocos de rua

Banda do Fuxico celebra Vera Verão: "Sem gay não tem Carnaval"

Débora Klempous/UOL
Banda do Fuxico empolgou foliões no centro de São Paulo Imagem: Débora Klempous/UOL

Miguel Arcanjo Prado

Colaboração para o UOL

04/02/2018 12h23

Mais tradicional bloco gay de São Paulo, a Banda do Fuxico completa 18 anos de festa LGBT na folia neste domingo (4), com o tema “Vera Verão, para Sempre Jorge Lafond”. Leão Lobo e Rosana Star são os padrinhos do bloco, que também vai condecorar Mamma Bruschetta, entre outras personalidades.

A concentração é realizada desde as 10h no largo do Arouche, na região da República, com previsão de saída do trio elétrico às 18h e cortejo pelo centro de São Paulo até às 22h.

Pioneira, a Banda do Fuxico faz parte da história da retomada do Carnaval de rua de São Paulo. Neste ano, celebra Jorge Lafond (1952-2003), ator, bailarino e comediante famoso por sua participação no humorístico “A Praça É Nossa”, no SBT. No programa, fez história com a personagem geniosa Vera Verão, dona do famoso bordão: “Êpa, bicha não!”.

“O Jorge Lafond quebrou tabus e foi um grande representante em nossas vidas, levando à mídia a questão da aceitação da comunidade LGBT. Carismático e talentoso, entrava na casa de todas as famílias. A importância de homenageá-lo é valorizar este representante histórico LGBT nas artes”, diz ao UOL Roberto Mafra, diretor da Banda do Fuxico.

Ele ainda reforça a importância histórica da comunidade LGBT na construção do Carnaval brasileiro. “O gay sempre foi a alma do Carnaval. Se não fosse o gay não existiria o Carnaval. Sem gay não tem Carnaval. O gay é o pulmão do Carnaval”, afirma Mafra.

Para Leão Lobo, padrinho da Banda do Fuxico desde sua fundação, homenagear Lafond é recuperar uma figura histórica das artes e da luta LGBT.

"Mesmo após 15 anos de sua morte, o Jorge Lafond é um ícone da cultura gay até os dias atuais. Até hoje as frases da Vera Verão são lembradas. Todo mundo ama Vera Verão! Ela jamais morreu. É importante que estes ícones gays e LGBTs sejam lembrados e reverenciados. Se o Lafond estivesse vivo, hoje estaria muito feliz, arrasando no Arouche com um figurino especial", diz ao UOL Leão Lobo.

A atriz Monique Lafond, que emprestou seu nome para o então jovem Jorge no começo de carreira, afirma ao UOL direto do Rio de Janeiro, onde vive, que está emocionada com a homenagem.

"Ele era um talento nato. Quando ele quis botar o nome artístico, ele, respeitoso, veio até a mim me pedir autorização. Contei para ele que Lafond não era sobrenome, mas nome próprio. Ele usou e ajudou muito a propagar meu nome", agradece a atriz.

"Era um rapaz muito delicado e talentoso, uma estrela. Onde ele chegava, ele causava. É uma pena que se foi tão cedo. Ele era um artista negro e gay, em uma época de muito preconceito e racismo. Ele rompeu muitas barreiras. Acho maravilhoso que receba esta homenagem no Carnaval de São Paulo feita pela Banda do Fuxico", diz Monique Lafond, que trabalhou ao lado de Lafond no humorístico "Os Trapalhões".

Lafond foi um ícone nas artes

A Banda do Fuxico rememora o artista Jorge Luiz Souza Lima, cujo nome artístico era Jorge Lafond (inspirado na atriz e musa Monique Lafond), lembrando os 15 anos de sua precoce morte, com apenas 50 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória em 11 de janeiro de 2003.

Além de ator e drag queen, o carioca Lafond também era bailarino especializado em balé clássico e danças africanas — chegou a integrar o corpo de baile do “Fantástico”, na Globo — e ator formado pela Unirio, tendo trabalhado também no cinema, em filmes como “Rio Babilônia”, “Bar Esperança”, “Bete Balanço” e “Leila Diniz”.

O artista também participou de novelas como “Sassaricando” e “Kananga do Japão” e dos humorísticos “Viva o Gordo” e “Os Trapalhões”, na Globo.

Bate-cabelo e corrida de salto alto

A concentração da Banda do Fuxico promete durante toda a tarde shows de drags, dos tradicionais concursos de bate-cabelo, corrida de salto alto, arremesso de bolsa e de melhor fantasia de gente e de cachorro.

Os DJs Jordan Benassi, Jullyus e Paulo Pringles animam os foliões. A festa ainda terá a eleição da Corte Oficial da Banda do Fuxico, além da presença da corte carnavalesca oficial paulistana.

Durante todo o domingo (4), a Feira Multicultura da Banda do Fuxico tem barraquinhas no largo do Arouche com comidinhas, bebidas, livros, discos, presentes e ações de saúde preventiva e distribuição gratuita de camisinhas.

“Queremos combater o preconceito e melhorar nossa autoestima e qualidade de vida da comunidade LGBT não só no Carnaval, mas durante o ano todo”, discursa Roberto Mafra, lembrando que a Banda do Fuxico se une também a imigrantes e refugiados. “Quem quiser chegar na paz e desfilar com a gente com alegria e sem preconceito é bem-vindo”, finaliza o diretor do bloco.

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