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Blocos de rua

Ninguém se pega no Carnaval gourmet de São Paulo

Marcelo Justo/UOL
Carnaval de São Paulo Imagem: Marcelo Justo/UOL

Chico Barney

Colunista do UOL

05/02/2018 19h00

O Carnaval de São Paulo é um sucesso. A cada ano que passa, os números crescem de maneira exponencial, como a cotação do bitcoin ou o número de usuários do Pokémon Go. Além da notória comoção do público, a crítica também tece loas à folia da capital.

Se no resto do Brasil a referência política mais ferrenha não passa de uma máscara do Pixuleco ou uma ala de vampiros guardando certa semelhança com Michel Temer, em São Paulo as coisas são mais densas. Bloco tem manifesto, musa tem contrapartida social e bebida ruim feito a catuaba é um statement. Por mim, tudo bem.

Sempre fugindo dos grandes debates nacionais, preferi investigar o que poderia acontecer de inusitado no Bloco Beleza Rara, promovido pelo trio elétrico da Banda Eva na Faria Lima, pulsante artéria financeira da cidade. Foi o segundo ano do evento, que em 2017 já havia colocado uma multidão de cartões de crédito platinum para sacolejar nas imediações do Shopping Vila Olímpia.

O clichê que a festa do Momo é dedicada aos prazeres da carne não parece encontrar qualquer ressonância por essas bandas. Como humilde e distante observador, não pude deixar de notar: ninguém se pega no Carnaval de São Paulo. Era possível contabilizar nos dedos quantos casais se formaram enquanto a Banda Eva entoava canções como "é de ladinho que eu me acho".

Houve até quem quisesse fomentar a lascívia. Alguns rapazes fizeram fila para tentar conquistar uma elegante cidadã com trajes de Mulher-Maravilha, mas ela parecia mais interessada em regravar alguns Stories no Instagram até a perfeição. Outra senhorita tentou roubar um beijo de um fumante com roupa de bombeiro, mas tudo o que conseguiu foi virar motivo de risadinhas no grupelho do rapaz.

Como o mais frustrado dos voyeurs, segui a pé até a avenida Hélio Pelegrino, outro pujante corredor do capitalismo brasileiro, para ver se o clima de empate persistia no ar. Eis que o bloco Ressaca do Diabo, ou coisa que o valha, destilava intenso pout-pourri carnavalesco para uma multidão de ascetas.

A inexplicável ausência de ambulantes vendendo bebida provocou intenso movimento no mini-mercado da região. Livre de qualquer balbúrdia, a fila era bem organizada e pacífica. A cerveja estava quente, mas a resignação do público sobrepujou-se a qualquer revés. Logo todos iriam embora sóbrios, bem vestidos e com o glitter intocado.

No centro econômico do país do 7 a 1, parece ser uma tendência passar o Carnaval no 0 a 0.

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