Do rap ao pop, Gloria Groove chama autor de "K.O." para "hitar" no Carnaval

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Gloria Groove em seu mais novo clipe, "Bumbum de Ouro" Imagem: Divulgação

Paulo Pacheco

Do UOL, em São Paulo

09/02/2018 04h00

Lançada nesta semana, a música "Bumbum de Ouro", de Gloria Groove, já é sucesso em pleno Carnaval. Em 24 horas, o clipe acumulou mais de 1 milhão de acessos, fato inédito na carreira da cantora de 23 anos. Mas a drag suou muito para "hitar" (traduzindo: virar hit), e não apenas rebolando os "18 quilates de bunda", como diz a letra da música.

Consagrada no rap, Gloria decidiu arriscar uma nova fase na carreira e abraçou o pop para bombar no Carnaval. Quem a ajudou na missão foi o hitmaker Pablo Bispo, um dos compositores de "K.O.", sucesso que projetou Pabllo Vittar, "Essa Mina É Louca", de Anitta e Jhama, e "Sua Cara", de Major Lazer com Anitta e Pabllo.

"Falei que queria estar no Carnaval mais do que como público, e sim como parte da festa, como artista. Para isso, precisava de um som que 'embrazasse' geral. Queria algo que representasse preciosidade. Queria trazer a riqueza não material, e sim a de se sentir valiosa e maravilhosa", conta Gloria ao UOL.

A cantora admite que teve dificuldades para compor por estar acostumada com versos enormes e a estrutura do hip-hop que a tornou reconhecida no meio musical. Ela precisou aprender a simplificar o trabalho para atingir todos os públicos, o que conseguiu com "Bumbum de Ouro".

"Sofri, porque pedi um 'socorro pop' para compor. Trazia muitos 'flows' enormes, cheios de palavras pelas referências de hip-hop e R&B. Um hit frio e calculista pensado para o Carnaval não é assim. Precisa ser mais malandrão para grudar. Eu tive que descomplicar a composição e enxugar palavras", explica.

"Não abandonarei o rap"

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Gloria Groove no clipe "Bumbum de Ouro" Imagem: Divulgação
Gloria Groove provará se o "sofrimento" para compor um hit deu resultado nesta semana, quando cantará "Bumbum de Ouro" em um camarote na Marquês de Sapucaí, no domingo, e no Bloco da Pabllo em Salvador, na terça.

A parceria vitoriosa com Bispo começou em outro hit do início do ano, "Joga Bunda", que reúne três drags: Aretuza Lovi, Pabllo Vittar e Gloria Groove. Nesta nova fase, a cantora garante que não deixou o rap, mas está celebrando a vida após lançar seu primeiro álbum, "O Proceder" (2017), com faixas de protesto contra o preconceito como "Dona" e "Império".

"As pessoas me perguntam se vou abandonar o rap. A Gloria que eu era em 'Império' e 'Dona' não deixou de existir. Ela só vai aprender a coexistir com todas as outras Glorias que posso ser. Agora que apresentei minha verdade para o mundo e gritei tudo que precisava gritar, esta é a hora de celebrar o fato de estar viva e poder fazer isso. Nada melhor do que botar o pé no pop e me alimentar das referências que sempre tive. Estou gostando muito de me descobrir", analisa.

Mulher e homem ao mesmo tempo

Gloria Groove levou dois dias para gravar "Bumbum de Ouro", e boa parte do tempo dedicou ao final emblemático, em que a drag encarna uma diva do pop e contracena com ela própria, vestida de rapper ao melhor estilo Jay-Z e Kanye West. Com dublês e truques de edição, a cantora realizou o sonho de aparecer como homem e mulher ao mesmo tempo.

"Quando vi editado pela primeira vez, fiquei toda arrepiada. Fazia questão de um dia poder contracenar comigo e brincar com esse negócio de homem e mulher juntos. Quero que dê esse nó nas pessoas quando assistirem. 'Espera aí, isso aqui é ela ou ele? Agora chamo de ela ou ele?' Isso gera o desconforto que faz a pessoa querer saber", afirma.

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Gloria Groove grava com dublê para seu mais novo clipe, "Bumbum de Ouro" Imagem: Divulgação
A cantora também encena como homem para mostrar ao público que, independentemente do gênero, é Gloria Groove em sua essência. Ela começou a carreira em 2002, na nova formação do "Balão Mágico", participou do concurso de calouros de Raul Gil, fez novela na Record e trabalhou com dublagem. Há três anos, decidiu ser drag inspirada no reality show norte-americano "RuPaul's Drag Race".

"Considero importante para ajudar a desmistificar a imagem de que drag se monta porque não se gosta e quer se esconder. Eu me monto para me sentir ainda mais maravilhosa, para mostrar que eu poderia ter feito de um jeito mas escolhi fazer assim e também para mostrar que Gloria Groove é o meu todo, a minha essência, e não apenas quando estou montada", esclarece.

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