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Blocos de rua

"Isso não tem no Rio", diz carioca que veio para SP curtir bloco indiano

Gabriela Fujita

Do UOL, em São Paulo

10/02/2018 13h41

Parecia improvável, mas tem tudo a ver: misturar música indiana com percussão brasileira deu liga e animou muita gente na rua Augusta, região central de São Paulo.

O bloco Bollywood saiu pelo terceiro ano no Carnaval de rua paulistano e tirou do Rio duas irmãs cariocas. A consultora de marketing Cláudia Blunt, criada na folia de Ipanema e Copacabana, saiu do Rio pela primeira vez para participar do bloco. Veio por influência da irmã, Corina Blunt, que mora em São Paulo há dois anos e já conhecia o bloco indiano.

Reinaldo Canato/UOL
Imagem: Reinaldo Canato/UOL
"Isso não tem no Rio", diz Cláudia. "Nem passava pela minha cabeça estar aqui no Carnaval, mas me sinto expulsa do Rio. Essa nostalgia de bloco pequeno, do bairro, a gente perdeu". Corina elogiou o bloco. "Esse ano eu caprichei na roupa. É muito original, eu amei".

A professora de inglês Cláudia Gonçalves também veio a caráter. Ela já esteve na Índia algumas vezes e tem planos de se mudar em definitivo para o país. "Tenho uma ligação espiritual com a Índia", afirma. "Ouço música indiana o dia inteiro, no carro ou no celular".

A música levada para a rua pelo bloco é de um ritmo conhecido como Bhangra. Muito agitado e impossível de não dançar. Eleita a rainha do bloco, a professora de dança indiana Iara Ananda Romano se apresenta ao lado de outras bailarinas em frente ao trio elétrico. "Tem tudo a ver com o nosso Carnaval. As pessoas se lembram da novela Caminho das Índias e também do filme Quem Quer Ser um Milionário. No fundo, é animado igual", ela diz.

Algumas celebrações e festas indianas são bem parecidas com o Carnaval do Brasil, como explica a mãe de Iara e também professora de dança indiana, Patrícia Romano. "O Holi, aquela festa em que as pessoas jogam pós coloridos umas nas outras, existe para acabar com a hierarquia. Este é um princípio básico do nosso Carnaval, onde tudo pode".

Reinaldo Canato/UOL
Imagem: Reinaldo Canato/UOL
Casada com um indiano, Patrícia visita a Índia duas vezes por ano. Tem parentes no país e também uma ligação forte com a cultura indiana. "Os tambores que a gente ouve no bloco são parecidos com o de uma festa hindu chamada Ganesh Chathurthi, em homenagem ao deus Ganesha. É uma maneira do brasileiro conhecer a cultura indiana e também dos indianos de verem isso aqui, uma troca entre as duas culturas".

Como é esperado em vários blocos de rua em São Paulo e pelo Brasil, os participantes receberam adesivos para serem colados nas roupas com a frase "Não é não!", da campanha que faz um alerta e quer combater o assédio sexual, principalmente aquele cometido contra as mulheres. "Quanto mais mulheres se unirem para dizer que não é não, mais a sororidade aumenta", diz a cineasta Juily Manghirmalani. "O assédio no Carnaval é muito grande", afirma ao distribuir adesivos. "Namastê!", como entoavam alegremente alguns participantes. "O Deus que habita em mim saúda o Deus que habita em você."

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