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Com disputa acirrada, campeã de São Paulo deve sair da 2ª noite de desfiles

Ricardo Matsukawa/UOL
Com o enredo "O Povo, A Nobreza Real", Império de Casa Verde cantou temas atuais da realidade brasileira, como desigualdade, impunidade e a insatisfação do brasileiro Imagem: Ricardo Matsukawa/UOL

Soraia Gama

Colaboração para o UOL, em São Paulo

11/02/2018 07h05

A campeã do Carnaval de São Paulo deve sair da segunda e última noite de desfiles do grupo especial, marcada por muitas surpresas positivas. Sorte do público, que viu de perto esse duelo de gigantes entre Império de Casa Verde, Mocidade, Vai-Vai e Dragões.

A Império fugiu das homenagens tão presentes no Carnaval deste ano e se inspirou na Revolução Francesa e no musical "Os Miseráveis". Na Avenida, passaram a riqueza dos fidalgos e as mazelas do povo. O luxo e o cuidado com fantasias e alegorias, marcas registradas do carnavalesco Jorge Freitas, estavam presentes em todos os carros.

A comissão de frente surpreendeu ao decepar a cabeça do bobo da corte (representante do povo) -- o efeito deu muito certo na avenida. O abre-alas mostrou cavalos gigantes com movimento, baile da nobreza… Mas a alegoria seguinte já destacava a pobreza. No quarto carro, as atenções se voltaram para a escultura de um elefante imponente, representando a Bastilha.

Em sua homenagem à cantora Alcione, a Mocidade Alegre dividiu seu desfile entre a vida da artista e São Luís do Maranhão, cidade natal da Marrom. Chamou a atenção pelas alegorias, fantasias e, como sempre, empolgou o público com as paradinhas coreografadas da bateria do mestre Sombra.

O colorido na avenida ficou por conta das fitas, santos e culinária --fazendo referência à cultura local da cidade. A parte musical do desfile foi marcada por algumas alas musicais e um carro com sósias de Alcione e amigas, como Maria Bethânia, Leci Brandão e Nara Leão -- a artista mesmo veio no último carro.

Simon Plestenjak/UOL
Alas da Vai-Vai retrataram as épocas de perseguição política e censura que levaram Gilberto Gil ao exílio Imagem: Simon Plestenjak/UOL

Mais um pouco da história do Brasil veio com a apresentação da Vai-Vai. Porta-bandeira com referências a Nossa Senhora, alas de cardeais, freiras, freis e até pagador de promessas, no enredo em homenagem a Gilberto Gil.

O samba-enredo não falava de Gil, propriamente, mas das letras de suas canções. A vida do artista foi retratada em alas e carros, como o do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Destaque também para o carro do exílio. Ratos, urubus, caveiras faziam referência ao horror vivido pelo cantor.

Gil, ao lado da mulher Flora e do filho Bem, desfilou no último carro, com uma imensa escultura dele caracterizado com o traje do bloco Filhos de Ghandy e a presença dos orixás.

O desfile da Dragões da Real não foi surpresa para muitos. Afinal, a escola, que foi vice em 2017, tem feito belas apresentações em busca do título inédito. Mas buscar é uma coisa e conseguir é outra.

Além de ter um dos melhores sambas desse ano, para homenagear os sertanejos, a Dragões levou para a avenida plantações, criações de galinha e famílias caipiras, em um enredo de fácil identificação com o público.

A história contada na comissão de frente teve continuação no abre-alas, com encenação de uma típica família sertaneja. Sérgio Reis veio ali, no alto, tocando o berrante e ouvindo os gritos do público. Roberta Miranda, outra sertaneja de peso, marcou presença em outro carro. O show teve direito a festa de São João e quadrilha com casamento e tudo!

Gaviões da Fiel, que retratou a cidade de Guarulhos com a lenda dos índios Guarus, apresentou carros grandes, mas que não causaram impacto. O samba também não animou.

Ricardo Matsukawa/UOL
Porta bandeira perde saia durante desfile da Vila Maria Imagem: Ricardo Matsukawa/UOL

Na verdade, o samba que esteve na boca da maioria foi o da X-9, com frases fáceis de ditados populares e muita alegria na avenida. A campeã do acesso fez a lição de casa, mas não tem chance de subir no pódio.

A segunda noite foi encerrada com a Vila Maria, enaltecendo o México e Chaves. A comissão de frente encenou a lenda de um vulcão mexicano, uma espécie de Romeu e Julieta do México.

Mas momento de amor e parceria foi vivido quando Lais, a porta-bandeira, teve um problema com a saia, que caiu. Integrantes da escola até tentaram arrumar, mas no fim ela arrancou tudo. O mestre-sala tirou uma parte da sua fantasia e cobriu as pernas da moça, e o casal foi ovacionado. Foi um choro só. De emoção e de lamento, porque perderão notas como casal e fantasia. Para minimizar um pouco a perda de pontos, o pavilhão da escola foi transferido para o segundo casal, que recebeu a missão de defender o símbolo da escola.

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