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Blocos de rua

Golpes de cassetete, spray de pimenta e dois presos marcam Carnaval de BH

Alexandre Guzanshe/Belotur/Divulgação
Foliões se divertem na rua Guaicurus, centro de BH, antes da confusão no local Imagem: Alexandre Guzanshe/Belotur/Divulgação

Miguel Arcanjo Prado

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

13/02/2018 14h43

O Carnaval de Belo Horizonte, que vinha transcorrendo com tranquilidade mesmo com seus 3,6 milhões de foliões, viveu momentos de tensão em sua reta final.

Confusão com a polícia com direito a cassetete e spray de pimenta marcou dois recentes eventos.

A Polícia Militar de Minas Gerais interrompeu o show do cantor Veronez no palco da rua Guaicurus, centro de Belo Horizonte, na madrugada desta terça (13).

Veronez é um dos principais nomes da atualidade na música mineira e defensor das chamadas "minorias", como LGBTs, negros, mulheres e periféricos, que na verdade, se somados, são a maioria da população.

A rua Guaicurus, na qual o show acontecia, é um antigo ponto de prostituição da capital mineira onde trabalhou a célebre prostituta Hilda Furacão, tema de romance e minissérie da Globo.

Para o cantor, a ação policial no local não tem justificativa, lembrando que, na plateia, "quase todo mundo era preto".

"Tinha uma rua marginalizada porque é frequentada pela periferia. Estava todo mundo assistindo ao show numa boa. A polícia fez cordão na frente do palco", disse.

"Teve ordem pra desligar no meio da música", falou Veronez em sua rede social.

"O som e o palco inteiro foram desligados no meio da música 'Nunca Vi', do Marku Ribas. Estava todo mundo assistindo ao show numa boa", disse o artista.

Segundo o relato do músico, "as pessoas foram retiradas da rua Guaicurus de forma autoritária, desproporcional, sem nenhum motivo".

"Não havia nenhuma sombra de confusão. Mais pra baixo, na mesma rua teve spray de pimenta, teve cacetete", contou Veronez.

Balas de borracha em bloco

Também houve confusão durante o bloco Filhos de Tcha Tcha na Ocupação Eliana Silva, no bairro do Barreiro. O bloco defende a luta por moradia e faz um desfile carnavalesco com forte recado político e social.

A diretora teatral Cristina Tolentino estava no local e contou como foi em sua rede social.

"Estava nos Filhos do Tcha Tcha na Ocupação Eliana Silva e rolou polícia do nada atacando com casetete, bala de borracha, spray de pimenta e descendo o cassete. Todo mundo feliz, até a polícia chegar", afirmou.

O compositor Makely Ka também contou o que viu no fim do Tcha Tcha em sua rede social.

"Na tarde desta segunda-feira, em pleno 2018, com o Carnaval já devidamente institucionalizado e privatizado, durante a dispersão do bloco Filhos de Tcha Tcha - após um belo cortejo pela Ocupação Eliana Silva, no Barreiro - a PM chegou sem nenhuma justificativa e agiu de forma truculenta atirando balas de borracha e bombas, descendo o cassetete indiscriminadamente contra foliões indefesos, incluindo crianças e idosos. Muita confusão, gente ferida, alguns presos", postou Makely Ka.

O bloco Filhos de Tcha Tcha postou nota oficial sobre o caso, condenando a violência da PM e exigindo um posicionamento do governador de Minas, Fernando Pimentel (PT): "A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) segue, como sempre, reprimindo o carnaval e os pobres de Belo Horizonte", afirmou o bloco.

"O governador Fernando Pimentel (PT), comandante da PMMG, deve se posicionar contra esse absurdo e punir os PMs envolvidos em todas essas graves violações", declarou o Filhos de Tcha Tcha.

Procurada pelo UOL, a Belotur, órgão municipal responsável pela gestão do Carnaval de BH, não se pronunciou sobre o ocorrido.

Em entrevista ao jornal mineiro "O Tempo", o tenente coronel Silvio Mendes, da PMMG, afirmou que os policiais agiram após o fim do desfile do Filhos de Tcha Tcha porque os foliões não quiseram desligar o som no horário acordado e, segundo ele, ameaçaram os policiais de agressão.

Duas pessoas foram presas, entre elas Indianara Mendes, militante do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e que trabalha no gabinete conjunto das vereadoras belo-horizontinas Áurea Carolina e Cida Falabella, ambas do PSOL.

Na manhã desta terça (13), Indianara e o outro preso foram liberados, após forte pressão dos integrantes do bloco na internet.

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