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Blocos de rua

Sem cordas, Corte Devassa resiste no Carnaval democrático com 10 mil em BH

Nereu Jr/UOL
Corte Devassa reuniu grande público em Belo Horizonte Imagem: Nereu Jr/UOL

Miguel Arcanjo Prado

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

13/02/2018 11h02

Com ponto de saída em uma das vistas mais privilegiadas do centro de Belo Horizonte, a Corte Devassa sacudiu a rua Sapucaí e o bairro da Floresta em sua passagem nesta segunda (12).

O bloco é formado majoritariamente por artistas e foi fundado em 2011 por estudantes de artes cênicas. Vários atores e atrizes do teatro mineiro estavam devidamente paramentados no bloco.

Os integrantes da Corte Devassa abusaram de roupas imperiais, com direito a muitas perucas brancas, sapatos lustrados e cetim.

Fazendo um potente desfile teatral, com foliões vestidos como no império, o bloco teve público de cerca de 10 mil pessoas, segundo os organizadores.

Querido da comunidade LGBT, a Corte Devassa condenou o machismo, a homofobia, a transfobia, o racismo e o assédio durante seu desfile.

Diferentemente de outros blocos tradicionais do Carnaval de BH, que passaram a utilizar cordas e grandes trios, a Corte Devassa demonstrou resistência no Carnaval de rua democrático.

Sem cordas ou qualquer tipo de separação ou hierarquização entre foliões, a Corte Devassa não utilizou cordas em seu desfile, fazendo com que sua bateria se integrasse de forma harmoniosa ao público, no fluxo fluído da folia.

No comando do vocal, o cantor Veronez entoou o "Hino da Corte Devassa", música com a qual lançou recentemente seu primeiro clipe, gravado no desfile de 2017. Depois, o bloco passeou por marchinhas tradicionais e releituras de hits do axé, entoados pelo povo.

Veronez ressaltou que o bloco aprendia com os foliões seu novo trajeto, já que a Corte Devassa não deu a tradicional volta no centro.

Este ano o bloco teatral se concentrou apenas em vias do bairro Floresta e terminou sua passagem frente ao viaduto de Santa Tereza, cartão postal belo-horizontino, em uma grande festa coletiva e para todos.

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