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04/02/2008 - 06h16

Viradouro faz espetáculo hollywoodiano em seu desfile "de arrepiar"

Da Redação
O carnavalesco Paulo Barros cumpriu sua promessa de surpreender no desfile da Viradouro: em uma das produções mais extravagantes já apresentadas na Sapucaí, a escola explorou de todas as formas o tema de seu enredo, "É de Arrepiar". O desfile encerrou o primeiro dia do Carnaval carioca.

No começo foi o frio: o carro abre-alas, com 40 metros de comprimento, trazia uma pista de esqui que consumiu 26 toneladas de gelo, na qual esquiadores desceram durante todo o desfile. A comissão de frente, composta por personagens inspirados no Mr. Freeze (inimigo de Batman no filme "Batman & Robin", de 1997), "congelava" integrantes, que eram trocados por estátuas de gelo e depois quebrados e varridos. Seria a primeira de várias referências cinematográficas do desfile.

AFP
Juliana Paes à frente da bateria da Viradouro
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Novamente uma ala foi dedicada a pingüins, que executavam todos a mesma coreografia. Além de um mestre-sala esquimó, a Viradouro representou o frio com uma ala de baianas vestidas de iglu, mas a chuva danificou várias fantasias, dificultando a evolução da ala.

Em seguida, algumas alas falaram de cabelos arrepiados, uma menção à idéia original do enredo, que falaria apenas de cabelos. Neste momento apareceram moicanos, punks e a segunda referência ao cinema no desfile, uma ala inteira vestida de Edward Mãos-de-Tesoura, em referência ao filme de Tim Burton de 1990. O carro alegórico que vinha logo atrás trazia a frente da mansão do filme e, nos lados, várias "peruas" em secadores de cabelo.

Outro carro bastante heterodoxo mostrava um grande boneco de um recém-nascido que realizava vários movimentos, representando o "arrepio do parto". O restante da alegoria era composto por milhares de bonecas de plástico, mantendo o hábito do carnavalesco Paulo Barros de ter sempre um carro feito com apenas um tipo de material.

A "surpresa" da ala de bateria, que este ano homenageava o artilheiro do Brasil na Copa de 70 Jairzinho, foi chutar bolas de futebol para a arquibancada, ao mesmo tempo em que levantavam a rainha Juliana Paes em referência à taça Jules Rimet.

O carro "Kama Sutra" trouxe casais nus pintados de dourado simulando as posições do livro indiano, representando o "arrepio da sedução".

A grande polêmica fomentada por Paulo Barros apareceu na etapa "arrepios de terror" do desfile, que incluiu alas em referência à Inquisição, forca, guilhotina (com um curioso mestre-sala-sem-cabeça) e cadeira elétrica. O carro sobre o Holocausto, proibido pela Justiça de desfilar, foi substituído por uma montanha branca cercada de pás, vários integrantes com mordaças, um Tiradentes de destaque e placas em que se liam "Liberdade Ainda que Tardia" e "Não É Enterrando o Passado que se Constrói a História".

Os "arrepios de repugnância" foram lembrados em alas fantasiadas de aranha, cobra e lagarto e com o carro alegórico "O Banquete", que era invadido por dezenas de baratas.

O cinema voltou a ser lembrado em alas de filmes como "Alien", "Chucky - O Boneco Assassino" e um carro alegórico sobre as duas versões de "O Exorcista".

Por fim, a escola dedicou alas a "carnavais clássicos" e fez uma homenagem a Cartola --que também pode ser interpretada como provocação à Mangueira, criticada por não homenagear o sambista no ano em que completaria cem anos. A Viradouro trouxe ainda Beth Carvalho, que rompeu com a Mangueira em 2007, como destaque do carro e incluiu trechos de "As Rosas Não Falam" em seu samba-enredo.
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Conheça a história e ouça o samba-enredo da Viradouro
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