24/02/2009 - 06h10

Bateria é destaque em desfile da Viradouro sobre combustíveis e orixás

Da Redação
A Viradouro, última escola a desfilar no Rio, levou para a avenida o enredo "Vira, Bahia, pura energia". Além de lendas de orixás, a escola incorporou em seu enredo a produção de biocombustíveis. A ideia foi criada para atender a um patrocínio prometido pela Petrobrás que, por fim, não veio.

  • GingaFotos/UOL

    Viradouro encerrou a 2ª noite de desfiles do Rio com o enredo "Vira, Bahia, pura energia"


Outro problema foi em relação ao prazo para a preparação do desfile. O carnavalesco Milton Cunha, responsável pela apresentação, estava participando da festa de Parintins na Amazônia em junho de 2008, quando recebeu o convite para fazer o desfile da Viradouro. Para cumprir o prazo, entrou num ritmo alucinante de trabalho - o último carro terminou de ser desenhado somente em dezembro.

A bateria do Mestre Ciça, "Filhos de Ghandi" incluiu atabaques entre os instrumentos e paradinhas estratégicas, sendo o destaque da apresentação. As fantasias dos integrantes foram divididas em brancas e vermelhas. Juliane Almeida ocupou o posto de rainha de bateria, substituindo a atriz Juliana Paes, que não desfilou, mas foi ao Sambódromo torcer pela escola.

A comissão de frente "Batalha entre os Combustíveis" mostrou uma briga sendo travada entre o combustível fóssil e o biodisel, com integrantes fantasiados de preto e verde, respectivamente. Sete bonecos articulados faziam o papel de fósseis.

MUSAS DO CARNAVAL CARIOCA

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    Juliane Almeida, rainha de bateria da Viradouro


O mestre-sala e a porta-bandeira Robson e Ana Paula usaram fantasias nas cores bordô e dourado, inspiradas em obras do pintor Caribe, nascido na Argentina, que adotou a Bahia. A saia da porta-bandeira mostrava imagens de orixás.

A ala "Divino Canavial" mostrou pombas brancas no alto da cabeça dos integrantes, como símbolo da paz. O carro abre-alas "Quando Orum se Encontra com Ayê" exibiu uma grande imagem de Oxalá. A alegoria também trazia a imagem da pomba branca e 65 mulheres dançando em representações da cana-de-açúçar.

"Rendas da Anunciação", a ala das baianas, retratou a força dos africanos que vieram para o Brasil. As integrantes usavam vestidos predominantemente brancos com detalhes em dourado.

O segundo carro da escola, "Carrossel de Ossanha" retratou o orixá das ervas, com uma representação de galhos com mulheres grávidas, mostrando a força protetora da natureza.

Pontos de Salvador, como o elevador Lacerda, foram retratados na alegoria "Ruas de São Salvador", com 10 metros de altura. Bombas de combustível vinham na parte traseira do carro.

A ala Carro "Velho" mostrou integrantes fantasiados com listras em preto e amarelo, semelhantes às usadas no trânsito, com uma cópia de lataria de fusca no peito.


O quarto carro "Oxente Mainha, tem Dendê na Panela e no Motor", mostrou uma grande escultura de baiana com uma panela de 15 mil litros d'água. Dentro, 14 moças simulavam camarões mergulhando no dendê. A alegoria "Deuses em Kyoto" relembrou a importância do Protocolo de Kyoto, que pregou a redução dos níveis de emissão de gases para os países que fizeram parte dele, como o Brasil.

A importância da reciclagem foi o tema do sexto carro, "Nanã e os Ensinamentos da Reciclagem", com a imagem do orixá trazendo a cana-de-açúcar nas mãos. A velha-guarda da escola desfilou nesta alegoria.

Nana Gouveia foi o destaque da última alegoria da escola, que retratou uma usina de cana-de-açúcar. Leandro Hassun e Marcos Oliveira, atores dos humorísticos "Zorra Total" e "A Grande Família", também desfilaram pela Viradouro. A atleta Fernanda Keller foi outra celebridade que defendeu a escola na avenida.

A ala "Na Onda do Berimbau" destacou o instrumento africano que embala as rodas de capoeira. Na fantasia, além da representação do berimbau, os integrantes seguravam as sombrinhas típicas do frevo.

"Canto de Fé da Viradouro" foi a ala que trouxe os compositores da Viradouro, todos usando roupas brancas e vermelhas, as cores oficiais da escola.

A última alegoria "O Trovão da Bonança no Encontro de Xangô e Iansã" veio com raios representando o beijo proibido das entidades, que provocaria a chuva, necessária para manter a esperança e a vida. O carro também mostrou esculturas dos orixás com 10 metros de altura.

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