22/02/2009 - 08h25

Casa Verde, Gaviões e Mocidade se destacam em noite com seis campeãs e desfiles técnicos

Da Redação
A segunda e última noite de desfiles do Carnaval paulistano contou com desfiles mais técnicos e seis escolas campeãs da última década dividindo a pista do sambódromo do Anhembi, em São Paulo. Império de Casa Verde, Gaviões da Fiel e Mocidade Alegre fizeram as apresentações mais equilibradas, enquanto a Vai-Vai trouxe um tema mais pesado e teve de se apressar para não estourar o tempo regulamentar de 65 minutos.

Alexandre Schneider/UOL 
A dançarina Gracyanne Barbosa, rainha da bateria da Império de Casa Verde

A Leandro de Itaquera, campeã do Grupo de Acesso (a 2ª divisão) em 2008, abriu a noite com tema que tratou da periferia das grandes cidades brasileiras. Na sequência, foi a vez da Pérola Negra mostrar os mistérios da Índia para uma plateia vibrante. A Mocidade Alegre, campeã de 2004 e 2007, se vestiu de vermelho para falar do coração em seu samba-enredo. A Acadêmicos do Tucuruvi iniciou, no meio da madrugada, um desfile cheio de religiosidade para mostrar as belezas da cidade mineira de Ouro Preto. As arquibancadas celebraram a entrada da Gaviões da Fiel, campeã de 2003 e 2004, que se valeu da força do time de futebol Corinthians e de celebridades para mostrar a evolução da humanidade, após a invenção da roda. A campeã de 2008 Vai-Vai fez um desfile controverso, baseado em alegorias escatológicas, para falar de doenças e de saúde. Encerrando, a Império de Casa Verde celebrou a própria história, com um desfile festivo, feito sob a luz do sol.

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Última a desfilar no Anhembi, a Império de Casa Verde celebrou o aniversário de 15 anos da escola, criada em 1994 e campeã dos anos de 2005 e 2006, com um samba-enredo alegre, chamado "É feriado, é festa, é celebração", puxado pelo cantor Belo. Já sob a luz do dia, as 25 alas e seus 3.500 componentes entraram na avenida com fantasias e carros coloridos -- umas das alegorias contou com bolos de verdade, outra, com um tigre (símbolo da agremiação) articulado, com 55 metros de comprimento. Namorada de Belo, a modelo Gracyanne Barbosa desfilou como musa da escola e rainha de bateria, cercada por ritmistas com cabelos descoloridos, como o do cantor.

Campeã de 2000, 2001 e do ano passado, a Vai-Vai apostou no enredo "Mens Sana et Corpore Sano. O Milênio da Superação" e em alegorias soturnas e escatológicas para ressaltar o perigo das doenças e a importância da saúde do corpo e da mente. Na avenida, 4.500 integrantes desfilaram ao ritmo de uma bateria vestida de "Peste Negra", sob comando de Mestre Tadeu, e tendo como madrinha a apresentadora Amanda Françozo e, como rainha, Camila Silva. Entre as 30 alas, bactérias, insetos, saneamento básico precário, glutonaria, doenças circulatórias, agressão ao meio ambiente e crianças vestidas de ratos pareciam quase vencer a guerra contra a higiene, as práticas saudáveis e a cura pela fé e pela ciência. Um dos carros trouxe o pianista João Carlos Martins, o senador Eduardo Suplicy, o cantor e apresentador Netinho de Paula e o presidente da escola, Tobias. Ao fim do desfile, correria para cumprir o tempo regulamentar e integrantes da comissão de frente sendo atendidos com sintomas de desidratação. Ainda assim, os componentes festejaram e alegaram estar na disputa por mais um título paulista.

Alexandre Schneider/UOL 
A Gaviões levantou o público com enredo sobre a evolução do homem

Com cerca de 4.000 componentes na pista e centenas de torcedores nas arquibancadas, a campeã de 2002 e 2003 Gaviões da Fiel representou o avanço da humanidade com o samba "O sonho comanda a vida, quando o homem sonha o mundo avança. A fantástica velocidade da roda para a evolução humana. É pura adrenalina!". Para mostrar o uso da roda nas diferentes eras, a escola utilizou bigas, patinetes, bicicletas, calhambeques e até um gavião futurista, dotado de trem-de-pouso. O saudosismo também esteve presente, com um carro alegórico homenageando o piloto Ayrton Senna, tricampeão de Fórmula 1. A agremiação também se valeu de uma profusão de musas, como Sabrina Sato, Jaque Khury, Lívia Andrade e a rainha da bateria Tatiane Minerato. O desfile, porém, foi encerrado com confusão, que envolveu integrantes da bateria e deixou uma pessoa ferida.

A Acadêmicos do Tucuruvi, que iniciou seu desfile por volta das 3h, mostrou um samba cheio de religiosidade e trouxe fantasias com muita riqueza de detalhes. Tudo para contar a história "Ouro Preto - O esplendor barroco de uma Vila Rica, relicário da Pátria, patrimônio da humanidade". Na comissão de frente e no carro abre-alas, anjos encaracolados. A bateria representou o ouro extraído das minas. Uma ala inteira foi dedicada a artistas como Aleijadinho. Entre os cerca de 2.800 componentes, destaque para o ator Milton Gonçalves encarnando Chico Rei, e para as musas da bateria Valéria de Paula (rainha) e Sheila Mello (madrinha).

Alexandre Schneider/UOL 
A Mocidade explorou os significados do coração e lembrou de seus títulos

A Mocidade Alegre, campeã de 2004, emocionou o público com o tema "Da chama da razão ao palco das emoções...sou a máquina, sou vida...sou coração pulsando forte na avenida!". De vermelho, a bateria se movimentou para formar um coração, símbolo da paixão, antes de entrar no recuo. Mitos da antiguidade, lições de anatomia, a história de "O mágico de Óz" e o filme "Moulin Rouge" foram utilizados para mostrar os diferentes empregos da palavra coração. O último carro representou a paixão pela escola, com membros da Velha Guarda e da ala mirim.

Segunda escola a desfilar, a Pérola Negra trouxe os mistérios, divindades e preciosidades da Índia em seu enredo "...Guiado por Surya pelos caminhos da Índia em busca da Pérola Sagrada". Tons fortes, como o púrpura, o dourado e o vermelho dominaram as fantasias. Carros alegóricos de Buda e Ganesh, homens em trajes típicos e mulheres apresentando danças locais representaram traços da cultura oriental. No caro Ilha de Goa, surgiram como destaques a modelo Ângela Bismarchi e a atriz Juliana Alves, com fantasia repleta de apliques e tons dourados.

A última noite de desfile das Escolas de Samba paulistanas começou com a Leandro de Itaquera, que voltou do Grupo de Acesso (a segunda divisão) no último ano, contando a formação da periferia brasileira. A cultura popular apareceu na ala "Morro Romântico", que retratou sambistas e poetas, na bateria, que homenageou a velha guarda, e na ala das baianas, com o tema "Cultos Africanos Proibidos". Os puxadores de samba estavam vestidos ao estilo rapper, com roupas largas, bonés e óculos escuros. O surgimento e crescimento das favelas também foi mostrado pela escola. O último carro trouxe outra homenageada, a atriz Regina Casé, que estava vestida da mesma forma como apresentava o programa "Central da Periferia", na televisão.

A campeã paulista em 2009 será conhecida na próxima terça-feira de Carnaval (24), na apuração oficial, que começa às 16h.

E, neste domingo, começa o desfile das Escolas de Samba do Rio, a partir das 21h, com cobertura completo do UOL.

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