08/02/2010 - 12h28

De mundos opostos, porta-bandeira e mestre-sala da Vila Isabel esbanjam harmonia

Do UOL, no Rio

André Durão/UOL

Júlio César da Conceição Nascimento e Rute Alves no ensaio de rua da Vila Isabel (27/1/10)

Júlio César da Conceição Nascimento e Rute Alves no ensaio de rua da Vila Isabel (27/1/10)

Júlio César da Conceição Nascimento cresceu em meio às rodas de samba. “Minha família é do samba. Meu pai era compositor da Portela e da Imperatriz. Minha mãe participou da primeira comissão de frente formada por mulheres, em 1961. Passei anos da minha vida na quadra da Portela e da Imperatriz”, relembra Julinho, professor de educação física, formado na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

Aos 10 anos, Julinho já mostrava estilo no miudinho e não parou mais com os passos de danças. “Nunca me esqueci do orgulho e das palavras de meu pai, que morreu quando eu tinha 16 anos, pouco depois de ter me visto como o primeiro mestre-sala”, conta ele.

Rute Alves não via televisão nem falava de Carnaval em casa, pois seu pai era militar rígido. Após a morte dele, Rute foi ao programa de rádio de Zeno Bandeira com o desejo de ser porta-bandeira, que arrumava vagas no projeto Manuel Dionísio. Lá, teve aulas de balé clássico.

Sabendo que a São Clemente procurava uma segunda porta-bandeira, ela procurou a escola. Sua apresentação encantou e acabou ganhando a vaga de primeira, estreando no Carnaval de 1997. No ano seguinte, já estava no Grupo Especial, conduzindo o pavilhão da Portela. Depois passou pela Porto da Pedra e Salgueiro até chegar à Vila Isabel, há sete anos. “Quando menina, eu colocava uma toalha na cabeça, prendia um pano num cabo de vassoura e saía rodopiando pela casa”, lembra.

Mesmo de universos tão distantes, Rute Alves e Júlio César da Conceição Nascimento tornaram-se parceiros no samba como primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Unidos de Vila Isabel. Boa parte de suas vidas é dedicada à busca da perfeição.
 

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