Blocos de rua

Aos 83 anos, morre Carlão, pioneiro do Carnaval de rua de São Paulo

Zé Carlos Barretta/Folhapress
8.fev.2013 - Carlão, o general da Banda Redonda, a mais antiga da cidade de São Paulo Imagem: Zé Carlos Barretta/Folhapress

Jussara Soares

Colaboração para o UOL

28/01/2017 18h25

Morreu na manhã deste sábado (28), aos 83 anos, Carlos Costa, o Carlão, o general da Banda Redonda, fundada em 1972 junto com o dramaturgo Plínio Marcos (1935-1999) e artistas do Teatro Arena. A banda – que nos dois primeiros anos se chamou Bandalha - foi a primeira do Carnaval de Rua de São Paulo, que na época enfrentava o cerco da ditadura militar e passava longe da popularidade atual.

Carlão estava internado desde a última quarta-feira (25) no Hospital Villa-Lobos, quando sofreu um AVC hemorrágico. O velório acontecerá a partir das 19h deste sábado no Cemitério da Quarta Parada, na Água Rasa. O sepultamento está marcado para 8h de domingo (29) no Cemitério São Pedro, na Vila Alpina, na zona leste.

Há quase dois anos, após sofrer três AVCs, Carlão vivia em clínicas de repouso, onde era acompanhado por fisioterapeuta e enfermeiros. Ele também tinha glaucoma avançado e quase não enxergava.

Mesmo com a saúde debilitada, nunca deixou de acompanhar a sua Banda Redonda. No desfile de 2016, quando a agremiação homenageou os 80 anos de Plínio Marcos, Carlão compareceu com enfermeira e ambulância no cortejo. Dias depois, a médica geriátrica quis saber se ele estava deprimido.  A resposta resume o espírito que o movia em todos os anos de Carnaval de Rua: “Como posso estar deprimido, depois de fazer um desfile com 5 mil pessoas nas ruas.”

“Ele adorava o Carnaval. Era a vida dele. Meu tio estava sempre feliz e fazendo suas piadas”, conta sobrinha Carla Cristina Costa Monteiro de Lima, filha do irmão José Maria Costa. Carlão nunca se casou nem teve filhos. Além dos sobrinhos e do irmão, considerava os amigos feitos na Banda Redonda e no Anhembi, onde trabalhou por 24 anos, como parte da sua família.

Amigo pessoal do general, Candinho Neto, presidente da Banda do Candinho, lembra que Carlão foi um símbolo da resistência da folia em São Paulo. “Ele foi uma figura fundamental para o Carnaval de Rua na nossa cidade, que até 2012 não era considerado como cultura pela gestão pública”, observa Candinho.

Carlão defendia que a folia fosse embalada apenas por sambas e marchinhas e rejeitava a ideia de abadás em desfiles de blocos e bandas. “Ele ficava bravo. Dizia que parecia time de futebol”, conta Candinho. Em entrevista ao UOL em 2014, o general revelou o medo de que a festa em São Paulo fosse invadida por trios elétricos do nordeste. "Não precisamos que nos ensinem como se faz, porque o Carnaval de rua sempre existiu em São Paulo", disse na época o general da banda Redonda.

A Banda Redonda desfila tradicionalmente na noite da segunda-feira de Carnaval.  O radialista Moisés da Rocha, que comanda o programa "O Samba Pede Passagem", na Rádio USP, é o mais cotado para seguir com as atividades da banda. "O desejo dele era que a Banda Redonda seguisse a sua história de sucesso."

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