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Rio de Janeiro

Beija-Flor é a campeã do Carnaval do Rio ao levar crítica social à avenida

Rafael Lemos

Do UOL, no Rio*

14/02/2018 16h53

A Beija-Flor conquistou nesta quarta-feira (14) seu 14º título no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro. Apesar de um desfile que pecou na parte técnica, como ponderou o crítico do UOL Anderson Baltar, a escola de Nilópolis conquistou público e jurados pela emoção com o enredo "Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu."

“Quem ganhou esse Carnaval, foi a minha comunidade, a nossa bravura. Ninguém sabe o que rolou durante o ano inteiro”, declarou Laila bastante emocionado com o resultado. "Meu povo sofreu muito esse ano no barracão com determinadas coisas. E eu fui homem para segurar a onda e não ter deixado entrar em crise."

O desabafo do diretor de Carnaval da Beija-Flor que veio logo ao final da apuração pode ser um adeus, já que a reportagem do UOL apurou que ele deve deixar a escola de Nilópolis após desentendimentos com o atual presidente Gabriel David, filho do presidente de honra Anízio Abrahão.

"Gabriel é meu amigo, mas precisa ser conduzido para o caminho correto. Ele precisa entender que administrar finanças é uma coisa, e administrar Carnaval é outra", pontuou o diretor sobre o atual gestor da Beija-Flor, que tem pouco mais de 20 anos.

Já Gabriel David ressaltou a necessidade de renovação na escola. "Alguém falou que a Beija-Flor tinha uma cara. E a cara da Beija-Flor é inovação. Se alguém duvidou da nova cara da Beija-Flor, não duvidem. O Carnaval tem que mudar. O Carnaval pede criatividade, essas mudanças", disse após o anúncio da vitória.

O atual presidente, no entanto, diz que seu desejo é que o diretor de Carnaval permaneça na Beija-Flor para 2019. "Laila tem espaço [na escola]. A Beija-Flor sempre vai ser a casa dele independente de qualquer coisa. Espero muito que ele fique."

Desfile histórico

A azul e branco ganhou o Carnaval de 2018 ao levar para a Sapucaí uma pesada crítica social com o enredo “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu” misturando a história da obra "Frankenstein", de Mary Shelley, com a realidade do nosso país.

Edson Celulari veio no carro abre-alas representando Dr. Victor Frankenstein, criador do monstro da ficção. Ratos apareceram já no segundo carro, ao lado de uma favela, precedido por alas com os animais e com barris de petróleo também representando corrupção.

A atriz Cláudia Raia desfilou no chão e lamentou a situação do Brasil após o desfile. "A gente quis cantar outro hino, mas só conseguimos cantar o hino do lamento, do socorro. Pelo amor de Deus, alguém tire o Brasil dessa lama, desse buraco".

Arte/UOL
Imagem: Arte/UOL

Componentes também vieram encenando uma cena protagonizada pelo ex-governador do Rio Sérgio Cabral em um jantar luxuoso em Paris. Sua mulher, Adriana Ancelmo, também foi representada por uma integrante usando uma tornozeleira eletrônica.

O abandono da população, vítima de balas perdidas, da violência e relegados a buscar alimentos no lixo, foi o tema do terceiro carro, com cenas bastante dramáticas.

Com a cantora drag queen Pabllo Vittar como destaque do penúltimo carro, uma representação do Maracanã com uma escultura de Frankenstein, a escola também abordou a intolerância e o preconceito contra as pessoas LGBT.

O preconceito com os nordestinos e as brigas de torcida também foram lembradas. A funkeira Jojo Todynho veio na parte de trás, em uma alegoria contra o racismo e a xenofobia.

Antes do início da apuração, Neguinho da Beija-Flor comparou o desfile deste ano ao que a escola fez em 1989, considerado um dos melhores desfiles de todos os tempos, mas que não conquistou o título.

"Me lembra muito o desfile 'Ratos e Urubus' Mesmo que a Beija-Flor não saia com o primeiro lugar hoje, esse desfile já marcou a história", ponderou o intérprete. A escola campeã terminou a apuração gabaritando no quesito samba-enredo, comandado por Neguinho. Evolução e harmonia também levaram notas 10 de todo o júri.

No ano passado, em um Carnaval marcado por tragédias e problemas, o título ficou dividido entre a Portela e Mocidade Independente de Padre Miguel.

Já neste ano, os desfiles ficaram marcados pelo forte apelo político. Além da Beija-Flor, coroada com sua pesada crítica social, a vice-campeã Paraíso do Tuiuti e a quinta colocada Mangueira fizeram desfiles bastante críticos aos governos federal, estadual e municipal.

No sábado (17), as seis primeiras colocadas voltam para a Sapucaí para o desfile das campeãs. Desfilam Mocidade, Mangueira, Portela, Salgueiro, Paraíso do Tuiuti e Beija-Flor, nesta ordem.

Tuiuiti renasce, Grande Rio cai

Após ter sua história marcada por uma tragédia no ano passado, a Paraíso do Tuiuti acertou em seu enredo e conquistou o vice-campeonato do Carnaval do Rio de Janeiro em 2018. A superação é coroada com o primeiro título da agremiação no Grupo Especial.

No ano passado, o último carro alegórico do Paraíso do Tuiuti entrou na área de armação da Marquês de Sapucaí completamente desgovernado, chocou-se contra as grades e atropelou 20 pessoas, matando a radialista Liza Carioca.

Já em 2018, com o enredo "Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?", sobre os 130 anos da Lei Áurea, a Tuiuti mostrou com muita ironia que a escravidão permanece até hoje, mas de forma diferente.

A escola ousou ao representar o presidente Michel Temer como um "Vampiro Neo Liberalista". No desfile, no domingo (11), e na apuração, nesta quarta-feira (14), a torcida apoiou a escola com gritos de "Fora, Temer".

Já a Império Serrano e a Grande Rio foram rebaixadas e desfilam na Série A em 2019. A Império Serrano ficou em último lugar, com 265,6 pontos. Em penúltimo, ficou a Grande Rio com 266,8 pontos. 

A Grande Rio homenageou Chacrinha com o enredo "Vai para o trono ou não vai?", mas o desfile azedou com um carro quebrado que fez a escola estourar o tempo.

Já a Império Serrano levou para a Sapucaí o enredo "O Império do Samba na rota da China". A escola também homenageou Arlindo Cruz com uma ala completa que levava familiares e amigos do sambista, internado há um ano.

*Colaborou Anderson Baltar

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