Minas Gerais

Com 3 milhões de pessoas, BH tem recorde de público no Carnaval

Maxwell Vilela
Rainha do Carnaval de Belo Horizonte, a diva Cristal Lopez desfila no bloco Angola Janga Imagem: Maxwell Vilela

Miguel Arcanjo Prado

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

01/03/2017 16h04

Para qualquer horizonte que se olhasse, um mar de gente fantasiada impunha o ritmo da festa, seja cruzando o viaduto de Santa Tereza ou criando um tapete humano na praça da Estação e na avenida Afonso Pena. Com 3 milhões de pessoas, Belo Horizonte teve este ano o maior Carnaval de sua história.

O número recorde é informado pela Belotur, a Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte, órgão ligado à Prefeitura e que gerencia o Carnaval da capital mineira. O dado superou a expectativa otimista da instituição, que era de atrair 2,4 milhões de foliões neste ano. O público de 2017 é 50% maior do que o de 2016.

Isso é fruto da paixão pelo Carnaval redescoberta pelos belo-horizontinos, que retomaram a festa de forma democrática e politizada a partir de 2009, com blocos pioneiros e sem qualquer apoio do poder público, como Praia da Estação, Bloco do Peixoto, Então, Brilha!, Filhos de Tcha Tcha e Tico Tico Serra Copo, entre outros.

Todos estes se mantêm na folia, ao lado de outros blocos de propostas distintas, que fizeram do Carnaval de BH um mar de diversidade, com opções para todos os gostos, inclusive para os pequeninos no Carnavalzinho.

Baianas Ozadas e Então, Brilha!

O maior de todos os blocos é o Baianas Ozadas, que, ao contrário dos colegas, afirma não ser politizado. Neste ano, o grupo sofreu dissidência -- gerando o bloco Havayanas Usadas -- mas mesmo assim conseguiu levar 500 mil pessoas à avenida. Afonso Pena, na segunda (27), segundo os organizadores. A Polícia Militar estimou o número em cerca de 200 mil foliões.

Nereu Jr.
O bloco Então Brilha! arrasou mais de 100 mil pessoas ao som de axé em Belo Horizonte Imagem: Nereu Jr.
O Havayanas Usadas, fundado por ex-integrantes do Baianas que não concordaram com o rumo empresarial que o bloco estava tomando, estreou com seu nome irônico levando 50 mil pessoas no bairro de Sagrada Família. Outro grande, o carioca Monobloco, atraiu 100 mil pessoas no entorno do Mineirão nesta terça.

o purpurinado Então, Brilha! ficou com o posto de segundo maior bloco de BH. Entre 100 mil e 150 mil foliões cobriram o centro com as cores rosa e amarelo no sábado, aos gritos de “Fora, Temer” e muito axé.

Carnaval politizado

Os gritos de “Fora, Temer” também ecoaram em blocos como o estreante Volta Belchior, nas ruas de Santa Tereza no sábado, e na Unidos do Queixinho, que desfilou com sua bateria afinadíssima pelas ruas do bairro Carlos Prates no domingo.

Outro bloco politizado que marcou a festa foi a Corte Devassa, feita pelos artistas da cidade, com seus integrantes vestidos de monarcas. Seu desfile, na segunda (27), passou pela primeira vez pelo histórico viaduto de Santa Tereza, emocionando os foliões.

Já a Alcova Libertina, com seu rock carnavalesco, hipnotizou os foliões que foram à praça das Lavadeiras no domingo, com seu som ecoando diante de uma vista de cartão-postal para o centro de BH. O bloco Todo Mundo Cabe no Mundo reuniu pessoas com deficiência também no domingo (26), provando que o Carnaval é para todos.

Houve novidade também no desfile do Pena de Pavão de Krishna, com seus integrantes vestidos de azul como a deusa hindu Krishna. O cortejo foi até Morro Vermelho, distrito de Caeté, na região metropolitana de BH, para pedir preservação das águas em Minas contra o avanço das mineradoras. Desfilaram debaixo d’água saudando Oxum.

O Carnaval negro também foi retomado com força em BH, após o pioneirismo na década de 1980 do Afoxé Ilê Odara. Este ano desfilaram blocos afro como Angola Janga, Magia Negra, Afoxé Bandarerê, Samba da Meia Noite, Dreadlocko, Fala Tambor e Zé Pretinho.

Outro bloco politizado, neste caso em defesa da liberação da maconha, o Manjericão desfilou nas primeiras horas desta quarta, pelo bairro Taquaril.

Cristal Lopez, a diva mulher trans e negra, confirmou-se mais uma vez como a rainha absoluta do Carnaval de rua de Belo Horizonte, à frente das baterias do Cintura Fina, do Angola Janga, do Garotas Solteiras, do Magnólia, do Alô, Abacaxi e da Corte Devassa. Com sua imagem que representa uma somatória de lutas sociais, Cristal Lopez é a cara da retomada do Carnaval de rua de BH.

 

Problemas

Apesar de toda a alegria e crescimento, a festa encontrou problemas, como a falta de banheiros em alguns trajetos, o assédio a mulheres registrados em muitos blocos, além de episódios isolados de violência, como uma grande briga nesta terça na praça da Estação.

Presidente da Belotur, Aluizer Malab afirma que a partir de abril a entidade já começa a organizar o Carnaval do próximo ano, com a expectativa de consertar as falhas e melhorar a festa.

De todo modo, o Carnaval de BH em 2017 entra para a história como um dos maiores do Brasil, sendo uma festa popular e democrática, reconquistada pela população e que movimenta sua cena cultural. Agora, é esperar com ansiedade 2018 chegar.

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